É sabido que nos últimos anos a quantidade de atletas que decidiram encarar as distâncias maiores, tanto na corrida quanto no triathlon, cresceu vertiginosamente no Brasil.

Para se ter uma ideia, segundo um levantamento feito pelo blog Recorrido, o número de concluintes nas maratonas brasileiras em 2016 cresceu 30% se comparado a 2015 (19.942 vs 15.300). Falando de Ironman, os atletas esgotam em apenas algumas horas as 2000 inscrições para a etapa de Florianópolis.

Motivados pelo desafio pessoal ou por melhorar a sua performance no ano anterior, os atletas lotam as provas no Brasil e no mundo todo. Para se ter uma ideia, no ano passado, 9% dos concluintes (930 atletas) da maior maratona na América do Sul, Buenos Aires, foram brasileiros.

Mas será que a performance também acompanhou o aumento do número dos inscritos para as longas distâncias? Os números dizem que não. O tempo médio dos maratonistas brasileiros caiu com o passar dos anos. Hoje os homens levam, em média, 4h16 para percorrer os 42K; enquanto as mulheres levam 4h37. Uma queda de 2 a 3 minutos por ano desde 2014.

No Ironman Florianópolis os números mostram que os atletas amadores mantiveram a mesma média de tempo dos últimos anos. Porém, com tempos cada vez mais fortes para aqueles que querem obter as vagas para Kona além de mais desistências no meio da prova.

O que podemos ver de acordo com os dados é que se por um lado os atletas que querem mais performance treinam cada vez mais forte, os iniciantes muitas vezes podem estar pecando na preparação ou no excesso de confiança/conhecimento real da distância.

Hoje os atletas esperam muito menos tempo para se desafiar em distâncias maiores que antigamente. Um atleta que levava 8, 10 anos para correr sua primeira maratona ou fazer um Ironman, hoje em dia quer conquistar o objetivo em muito menos tempo. Muitas vezes sem treinador, sem a orientação adequada, literalmente se aventurando nas distâncias maiores.

Isto faz com que o desempenho dos atletas estreantes nestas distâncias venha caindo a cada ano mais. E muitos deles não chegam nem a completar a prova. E se completam, ficam meses parados lesionados devido a sobrecarga de esforço para chegar ao objetivo.

O ponto aqui não é desmotivar ou questionar o esforço de cada um. Tampouco querer estabelecer uma barra do que é ou não performance. Ou o que é ou não um tempo “aceitável” para o término de uma prova de longa distância. O que quero deixar para ser pensado aqui é como os atletas tem se preparado para as provas mais longas.

Se o atleta se preparou bem e na hora da prova a estratégia deu errado? Pode ser que tenha acontecido. Mas os números não mentem: os atletas ficaram mais lentos.

Referências:

Blog Recorrido, Ironman Site e CoachCox

 

 

Beto Oliveira

Colaborador

Beto Oliveira - 32 anos, publicitário e maratonista. Saiu dos 114Kg ao sub3 nos 42K em apenas 4 anos!

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