Que o álcool não ajuda a melhorar a performance e rendimento nos treinos e provas não resta dúvidas. Mas a partir de quantas doses que o álcool traz malefícios para o atleta? O álcool traz realmente malefícios? Quais? Ele é mesmo um vilão? Engorda? Esse assunto sempre foi muito polêmico entre técnicos e atletas.

O álcool não é apenas uma questão de gosto, mas sim de eventos, reuniões sociais e familiares, sensação de relaxamento e até mesmo influencia da mídia (um exemplo são as marcas de bebidas que patrocinam grandes times e, as pessoas saudáveis, alegres e saradas que participam das propagandas). É muito difícil conseguir convencer o atleta a excluir o álcool da dieta, frases do tipo; “todo mundo faz isso”, “eu bebo só de vez enquando” e “eu posso eliminar tudo na sauna amanhã cedo” são muito escutadas. Mas afinal, precisa  eliminar totalmente o álcool da dieta?

Existem diversos estudos sobre o consumo de álcool no esporte, porém é difícil obter resultados fidedignos, visto que os relatos pessoais dos atletas são questionáveis por temerem discriminação e acabam  omitindo informações ou exagerando em dados para se exibir. Seria muito útil examinar os efeitos do álcool sobre o metabolismo e o desempenho do exercício, mas é muito difícil determinar esses resultados pois o álcool tem uma série de efeitos sobre vários tecidos do corpo, provocando grandes variações nas respostas individuais.Além disso os Comitês de Ética também apresentam-se relutantes em aprovar estudos que pareçam encorajar o consumo de álcool.

Primeiramente, de uma forma básica, temos que entender sobre o metabolismo do álcool:

O metabolismo do álcool (etanol) ocorre primeiro no fígado, onde ele é oxidado em acetaldeído e depois em acetato. Essas reações acontecem por uma série de enzimas hepáticas e formam átomos de oxigênio, que tem de ser reoxidados no interior da mitocôndria. Porém, esse processo é limitante, pois interfere no metabolismo dos carboidratos. Se as reservas de glicogênio do fígado estiverem baixas (provavelmente elas estarão após exercícios físicos e quando a ingestão de carboidrato for baixa), o fígado não será capaz de manter a concentração de glicose em circulação, o que levará a hipoglicemia.

Existem diferenças consideráveis nas respostas dos indivíduos à ingestão de álcool. A taxa de eliminação do etanol do fígado varia bastante de acordo com o indivíduo, ao passo que a resposta de cada pessoa depende da quantidade de etanol consumido em relação à ingestão habitual.

O álcool é um alimento rico em energia e pobre em nutrientes e pode ser muito prejudicial quando o atleta esta tentando reduzir gordura corporal:

1 grama de álcool: 7 kcal
1 grama de carboidrato: 4 kcal
1 grama de proteína: 4 kcal
1 grama de gordura: 9kcal

 

Os efeitos do consumo excessivo de álcool são perceptíveis em qualquer pessoa, mas em atletas o consumo, mesmo que moderado, no dia que antecede uma competição, ou no dia da mesma pode interferir e muito em sua performance. O atleta que consome bebidas alcoólicas antes da prática da atividade, sem dúvida, irá perder rendimento mais fácil que um atleta com mesmo condicionamento e que não ingeriu álcool.

 

A ingestão excessiva de álcool pode interferir na recuperação após o exercício. Isso pode prejudicar diretamente a reidratação, a recuperação do glicogênio e a reparação de danos nos tecidos moles. Atenção lesionados de plantão: Quando algum tecido mole sofre algum tipo de dano, nenhuma bebida alcoólica deve ser consumida durante as 24 horas que seguem o evento.

Para recuperação as melhores opções são as bebidas esportivas, os sucos de frutas e água. A reposição de sódio por meio de bebidas esportivas, por soluções de reidratação oral ou por alimentos com sal, também é importante para estimular a retenção desses fluidos.

Lógico que para quem gosta, é muito bom terminar uma prova, fazer um churrasquinho e tomar  algumas cervejas. Mais do que merecido! Meses de treino para tão esperada competição nada mais justo que uma comemoração pós prova, ou até mesmo após um treino difícil.

Podem ficar tranquilos, porque a performance não será perdida. Só que o ideal é que você termine a prova, se reidrate (o ideal é que você ingira 150% da quantidade de líquidos que perdeu) e, reabasteça suas reservas de glicogênio, que ficaram depletadas após o exercício, com muito carboidrato. Essa ingestão de alimentos com alta fonte de carboidratos também ajuda a diminuir a taxa de absorção de álcool e consequentemente a taxa de intoxicação. A carne do churrasco e a cerveja não vão conseguir reabastecer esses estoques.

Para recuperação, as melhores opções são as bebidas esportivas, os sucos de frutas e água. A reposição de sódio por meio de bebidas esportivas, por soluções de reidratação oral ou por alimentos com sal, também é importante para estimular a retenção desses fluidos. É mito que a cerveja contem quantidades significativas de sódio.

A conclusão geralmente aceita é de que grandes ingestões de álcool, não apresentam efeitos benéficos à função muscular e, na verdade, o álcool pode surtir efeitos prejudiciais sobre o desempenho no exercício quando consumidos em doses altas. Porém não existem indícios de prejuízos à saúde e ao desempenho quando o álcool é utilizado com sensatez.

Resumindo:
- O consumo de bebidas alcoólicas prejudica a absorção de nutrientes e depleta o glicogênio hepático (os atletas precisam de glicogênio hepático!!!)
- Inibe o anabolismo (isso mesmo, não tem como ganhar massa magra se os estoques de glicogênio estão baixos).
- Assim como as bebidas gaseificadas, a fermentação de algumas bebidas (ex:cerveja) também dilata o estômago fazendo com que você coma cada vez mais, alem de possuir as famosas “calorias vazias”
- A diurese provocada pelo consumo de bebidas alcoólicas dá-se pela inibição do hormônio anti-diurético ocasionando desidratação. A partir desse estado fisiológico, ocorrerá uma retenção hídrica posterior, pois seu corpo sempre que passar por um momento de restrição, procura uma maneira de armazenar o que lhe faltava antes para evitar possível déficit posterior.
- O Álcool contem grande quantidade de calorias, e pior, CALORIAS VAZIAS.

 

 

REFERENCIAS:
*1.O´Brien, C. P. (1993) Alcohol and Sport: impacto f social drinking on recreational and competitive sports performance. Sports Medicine.
*2. Shirreffs, S.M & Naughan, R.J. (1997) Restoration of fluid balance after exercise-induced dehydration: effescts ofalcohol consumption. Journal of Applied Physiology.
*3 American College of Sports Medicine. Position Statement on the use of alcool and sports. Rev Bras Med Esport _ Vol. 3, Nº 3 – Jul/Set, 1997
*4 WATTEN, R. G. Sports, physical exercise and use of alcohol. Scand J Med Sci. Sports, v 5, p 364-368, 1995
*5 SHIRREFFS, S.M., Maughan, R. The effects of alcohol consumption on the restoration of blood and plasma volume following exercise-induced dehydration in man. J.Physiol, n 491, p 64-65, 1996
*6 www.rgnutri.com.br

Yana Glaser

Colunista

Formada em nutrição, especializada em nutrição esportiva e fisiologia do exercício. Triatleta há 18 anos, Kona finisher 2016! Contribui com o Trilo quinzenalmente as quintas feiras com a coluna: COMER PARA TREINAR - Como uma dieta adequada pode garantir uma boa disposição, recuperação, um melhor desempenho nos treinos e a superação de suas metas.

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