Atualmente, os atletas (amadores e profissionais) viajam pelo mundo em busca de novos desafios. É comum correr uma prova de 10km em Paris, realizar um Ironman no Hawai'i ou até mesmo disputar uma Olimpíadas. O calendário de provas nacionais e internacionais está amplo e diversificado, com cada vez mais opções e melhores organizações. Não basta escolher uma prova e treinar para realizá-la. Competir fora da cidade onde reside, seja 100km ou 10.000km de distância, requer um mínimo de estratégia alimentar.

 

ALIMENTAÇÃO DURANTE O TRAJETO

Ficar sentado por longos períodos, por exemplo, não é uma atividade natural para a maioria dos atletas. Deve-se tomar cuidado porque muitas vezes a  inatividade forçada é aliviada pela comida.  Muitos atletas  comem em excesso durante viagens de avião, trem ou automóvel, podendo significar um ganho de peso indesejado.

O atleta deve se preocupar, em primeiro lugar, com a alta ingestão de fluidos (a perda de fluidos geralmente é mais alta e imperceptível durante a viagem). Cabines e aviões pressurizados, ar condicionado de ônibus e trens, expõe o atleta a um ambiente seco, que provoca uma perda de fluidos. O ideal é sempre carregar uma garrafinha de água.

É fácil consumir lanches altamente energéticos e gordurosos. Além de muitas vezes serem as opções mais baratas, são as opções mais encontradas em aeroportos, rodoviárias, lanchonetes e estações. O atleta deve se programar para levar seu próprio suprimento. Ser flexível e independente é uma ótima característica para o atleta viajante. Atrasos, trânsitos e imprevistos sempre acontecem.

Lanches como barra de cereais, barras energéticas, suplementos para refeições liquidas, frutas secas e castanhas são algumas opções para levar nas viagens. Em viagens de carro e ônibus, pode-se levar pequenos recipientes refrigerados para guardar sanduíches, iogurtes, frutas, cereais e bebidas geladas.

Outra dica é que muitas empresas aéreas fornecem cardápio especial como refeições vegetarianas, com baixo teor de gordura, e até mesmo a opção para refeições de atletas. Porém, esses tipos de refeições devem ser encomendadas com, pelo menos, 24 horas de antecedência.

 

JET LAG E FUSO HORÁRIO

Atravessar zonas horárias expõe o atleta a uma alteração em seu relógio biológico. Como resultado, ocorre uma situação chamada Jet Lag, problemas relacionados à mudança rápida de fuso horário quando acontecem viagens para regiões distantes,  que dura até que o ritmo seja reajustado às novas condições ambientais. Os principais efeitos do Jet Lag são desordens do sono, dificuldade de concentração, fadiga, perda de apetite e distúrbios gastrointestinais.

O ideal, para tentar minimizar esse efeito, é acertar os relógios para  horário local no inicio da viagem e estabelecer horário para dormir e comer durante a viagem de acordo com as atividades do local do destino. E ao chegar, programar horários para as refeições, atividades fora de casa e sessões de atividade física. Pular refeições, dormir durante o dia, ficar acordado até tarde  fazer lanches durante a madrugada prejudica a adaptação ao horário local.

 

Embora o período dos ajustes varie de acordo com o indivíduo, costuma ser necessário um dia completo de adaptação para cada hora de diferença.

 

ALIMENTAÇÃO E OUTRA CULTURA

Pode ser uma delícia experimentar os sabores exóticos de um país diferente. Porém, treinamentos intensos e competições não combinam com alimentos desconhecidos. A preferência deve ser sempre por alimentos já familiarizados, e isso muitas vezes acaba sendo um desafio para o atleta.

Dependendo da cidade, acaba sendo difícil encontrar os tipos de alimentos preferidos em um país desconhecido. As práticas alimentares locais nem sempre são compatíveis com as necessidades nutricionais do esporte. Existem atletas que por ter paladar sensível perdem peso por não encontrar seus alimentos favoritos, já outros, ganham significativa quantidade de gordura corporal por não conseguirem resistir a novas "delícias".

Hoje em dia a internet fornece muitas informações sobre países diferentes, fazendo com que seja mais  fácil conhecer os hábitos alimentares locais antes de chegar ao destino. É importante também descobrir o tipo de refeição servida nos restaurantes próximos e no hotel. E avaliar possíveis substituições. Se estiver na França, o pão do café da manhã pode ser trocado pelo croissant sem que interfira no controle de peso? Ou se estiver em um país asiático, o atleta pode substituir esse mesmo pão por uma tigela de arroz? É sempre bom consultar um profissional da área para tirar dúvidas como essas.

Um outro problema que pode ser encontrado é a questão da higiene e segurança alimentar, o risco de pegar uma infecção por organismos desconhecidos aumenta ainda mais se o sistema imunológico do atleta estiver comprometido pela fase de treinamento ou pelo descanso. Antes do atleta viajar para outro país, o ideal é consultar um médico esportivo e aconselhar-se sobre questões relacionadas à higiene e segurança dos alimentos e da água no novo ambiente.

Algumas dicas para minimizar o risco de doenças gastrointestinais causadas por germes, em países com condições sanitárias ruins:

-Tomar apenas água fervida ou engarrafada
-Deve-se evitar saladas e vegetais crus, a não ser que o atleta tenha certeza que esses alimentos foram bem higienizados.
-É útil carregar toalhas bactericidas para poder desinfetar sempre as mãos.
-A ingestão de frutas deve-se limitar aos tipos que podem ser descascados.
-Laticínios não pasteurizados devem ser evitados.
-É mais seguro comer em restaurantes à la carte do que em self service.

 

SUPRIMENTOS PARA O ATLETA DE VIAGEM.

Alimentos com fácil armazenamento, alta durabilidade e facilidade no preparo são boas opções para serem levados pelo atleta, afim de complementar a oferta local de alimentos.

Algumas opções:
-Cereais matinais e leite em pó desnatado
-Frutas embaladas em pacotes plásticos ou recipientes com tampa.
-Arroz e macarrão pré cozido (com baixo teor de gordura)
-Molhos de macarrão em saquinhos
-Frutas secas e castanhas
-Biscoitos, geléia, mel e pasta de amendoim (melhor ainda se forem em pacotes individuais)
-Barras gelatinosas ou de cereais
-Bebidas esportivas em pó
-Barras esportivas

Outra dica é fazer um diário alimentar, relatando os êxitos e fracassos da sua viagem, as opções de compras, a cultura alimentar da população e seus hábitos diários durante a viagem, para auxiliar outros atletas ou até mesmo sua próxima viagem.

 

REFERÊNCIAS:
NUTRIÇÃO ESPORTIVA. Ronald J. Maughan & Louise M. Burke, Artmed 2007.
NUTRIÇÃO ESPORTIVA- UMA VISÃO PRATICA. MAnole, 2008.

Yana Glaser

Colunista

Formada em nutrição, especializada em nutrição esportiva e fisiologia do exercício. Triatleta há 18 anos, Kona finisher 2016! Contribui com o Trilo quinzenalmente as quintas feiras com a coluna: COMER PARA TREINAR - Como uma dieta adequada pode garantir uma boa disposição, recuperação, um melhor desempenho nos treinos e a superação de suas metas.

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