Quem escreve o relato do Patagonman é ninguém menos que Lucy Gossage. Para quem não conhece, essa triatleta profissional tem resultados impressionantes no triathlon. Venceu 12 IRONMANS, incluindo 5 vezes o UK, além de Lanzarote e Barcelona. Participou diversas vezes de Kona. Mas o que mais impression é que além de triatleta profissional, ela é médica oncologista da renomada Universidade de Cambrige.

 

Patagonman não é uma prova, mas uma experiência. Uma experiência de uma vida e que me fez sentir a profissional mais sortuda do mundo. Eu já participei e ganhei algumas provas incríveis ao longo dos anos. Essa foi diferente. Toda a viagem e todo o dia foi uma aventura. A prova me tirou da minha zona de conforto. E me reiterou por que continuei no triatlo por tanto tempo. Há sempre uma maneira de encontrar um novo desafio.

 

É impossível descrever a beleza da Patagônia Chilena. Uma sobrecarga sensorial é o mais próximo que eu tenho. Ele combina as melhores partes de alguns dos meus lugares favoritos no mundo e os aprimora. Nova Zelândia. África. Os Alpes. Tailândia. Califórnia. É difícil imaginar qualquer lugar mais bonito. E quieto. Passei uma tarde deitada em um pontão ao lado de um lago e não ouvi ninguém. Você pode caminhar por um dia e pode ver outro grupo de caminhantes se não tiver sorte. Sem as pessoas ao seu redor você pode apreciar os sons e os cheiros muito mais.

 

A prova em si era diferente de tudo que eu fiz antes. É ponto a ponto. Todos começam  pulando de uma balsa em um fiorde e nadam de volta para a terra. Você pedala por 175 km, praticamente a única seção contínua de estrada pavimentada na Patagônia Chilena. E então você corre uma maratona em trilhas e estradas de pedras até o final de uma pequena aldeia em um lago. Havia menos de 200 pessoas na prova, por isso é amigável. Todo mundo fala com todos. Ninguém é especial.

 

Se começar um IRONMAN é excitante, a atmosfera na balsa era elétrica. Você tinha os caras preocupados em silêncio com seus próprios pensamentos. Você tinha os caras sérios. E então tinham uns  malucos como eu com uma discoteca e karaokê no deck. "Viva Chile, viva Chile". Uma nervosa adrenalina às 4 da manhã. Isso é um destaque. Saltar do barco no escuro é outro ponto alto. Em termos de memórias, isso equivale a entrar na água no dia da prova em Kona. Palavras não podem fazer justiça. Arrepios na minha espinha.

 

Andar o percurso com literalmente ninguém à vista por milhas à frente ou atrás era especial. Ao contrário do IRONMAN, não há postos de socorro a cada poucos quilômetros. Você pode encontrar sua pessoa de apoio (eu tive um incrível ajudante chileno chamado Jandri que era simplesmente incrível) a 45km e 135km e há 90km uma estação de água. Eu optei por usar meus suportes de caramanhola na frente e atrás na bike, então parei cada vez, bebi uma garrafa e, em seguida, enchi minhas caramanholas. O percurso de bicicleta é difícil, mas não mais do que Lanzarote ou País de Gales, além dos buracos, cães de rua, seção de entulho (obras rodoviárias) e calçadas e, embora tenha sido super ventoso, no geral acho que nos beneficiamos disso. Você vai se cansar, mas quando fizer isso, apenas sente-se, olhe para a vista e será revitalizado.

 

T2 é literalmente algumas pessoas em pé em uma aldeia. Sem prateleiras. Sem sacos. Sem tendas. Muitas câmeras. "Não olhe", eu gritei (Jandri traduziu, eu acho) quando tirei o meu tri suit e coloquei um short de corrida. Tenho certeza de que alguém tem uma foto minha em pé nua no meio do nada. E então fui embora. Eu só li o manual da prova no avião. E eu não sabia nada... Quando eles disseram trilha, partes dela eram rastros. E quando eles disseram que você iria atravessar um rio, na verdade você irá cruzar um rio (acima dos meus joelhos). E que havia apenas 3 estações de água a 10km, 20km e 30km. Então, se você fizer 0 Patagonman no próximo ano, aprenda com meus erros. Use tênis de trilha e leve um sistema de hidratação. Apesar de sofrer no calor, esta foi, de longe, a corrida mais agradável que já fiz. Passei por um cara, mas não vi ninguém por 30km. Eu me senti como um corredor de ultra. Eu contra os elementos. Simplicidade. Sem multidões. Sem gritos. Apenas o som da natureza e as vistas mais impressionantes que você pode imaginar. Eu percebi nesta prova que eu continuo competindo não porque posso ganhar. Eu continuo competindo por experiências como esta. Eu corro por desafios; para aventuras; para lembranças o que o dinheiro não pode comprar.

 

O triathlon me levou a alguns lugares legais, mas essa viagem supera todos eles. Patagonman: A corrida no fim do mundo que lhe dará a experiência de uma vida.

 

No ano passado eu twittei que o Patagonman seria uma grande prova de aposentadoria. E eu sigo com isso. Eu não vou me chamar de triatleta profissional em 2019. Mas você vai me ver em algumas linhas de partida de alguns desafios malucos. Fazendo eventos que capturam minha imaginação, me levam para lugares legais e me tiram da minha zona de conforto. Patagonman revigorou meu desejo de aventura. E quem sabe onde isso vai me levar.

 

Texto publicado por:

Lucy Gossage triatleta profissional, médica oncologista da renomada Universidade de Cambrige e vencedora de 12 IRONMANS. Texto gentilmente traduzido por Luciana Haddad, quem manteve contato com Lucy e conseguiu a autorização para publicarmos este texto na versão português. O link para o texto original é este  - https://lucygossage.com/not-a-race-but-an-experience/ 

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