Sentei por alguns momentos para escrever um relato sobre o Patagonman.

 

Não, não é um relato de prova. Aqui você não vai encontrar um “nadei para x mais ou menos o que eu esperava.”

 

É que de fato não se trata de uma prova, mas sim de uma experiência que merece não apenas ser vivida, mas relatada.

 

A cidade base, Coyhaique, é bem pequena. Basicamente são 3 ou 4 restaurantes, todos bem próximos à pracinha, o que de certa forma aproxima muito os atletas e staff. E isso é o mais legal do triathlon: conectar pessoas, viver a simplicidade do esporte.

 

Perguntem a todos. Certamente alguém comeu no Mamma Gaucha, Chelenko ou La Esquina Tropera. Mas a véspera da prova é no mínimo sui generis. As vans partiriam para Puerto Chacabuco entre 1 e 1:50 da manhã. Adivinha de onde? Sim, da Pracinha. Ou seja, quem se adapta melhor conseguiu dormir entre 18 e meia noite. Lembrando que o sol se põe por volta de 21:30.

 

Chegamos sob o vento gelado do Porto e todos pareciam bem felizes e sorridentes. Quem tá ali gosta de perrengue. Gosta do desconhecido. E talvez isso seja um plus para quem faz a primeira edição. É como desbravar, você não tem referência nenhuma...
Subimos ao barco e pude perceber que cada um reage de um jeito à tensão. Uns pulam e cantam, tentando enganar a própria cabeça. Outros ficam silentes, com o olhar vidrado. Outros ainda tem o medo estampado na cara. A energia do barco é mística...

 

O pedal é simplesmente lindo. Mas duro. Sao apenas 3 pontos de apoio / hidratação: km 45, 90 e 135. Sem choro. Não sei qual era a recompensa maior em cada fim de subida: terminar ou ver de cima a paisagem estonteante. Que assim como o clima, variavam rapidamente. Desde montanhas de neve a campos de flores. Ah, os câmbios climáticos... esses sim me deixaram confuso. Queria tirar a segunda pele e 3 km depois estava pedindo por mais um corta vento. O recado era simples. A natureza dizia: eu que mando, sua prova, minhas regras.

 

Após 20 km de descida com vento contra e lateral, chegamos a Cerro Castillo e o visual era alucinante.

 

E aí veio a corrida. Difícil, mas com mais uma surra de paisagens que jamais me sairão da memória. Apenas 3 pontos de apoio novamente: km 10, 20 e 30.

 

Por fim, chegamos em Puerto Ing. Ibañez, cidade com pouco mais de 700 habitantes. A alegria deles ao nos receber era estampada no rosto. Crianças batiam em nossas mãos. Uma delas me ofereceu um pote de cerejas. O pórtico simples, apenas com um sino que demarcava o final de um dia especial. Lembrando que de fato as coisas mais valiosas não precisam de muito luxo. Patagonman ano 1. Quem viveu, jamais vai esquecer.

 

Texto publicado por:

Edson Maisonnette Triatleta, IRONMAN, X-IRONMAN e Ultraman

Você no Trilo

Colunista

VOCÊ NO TRILO é um canal aberto a todos que queiram compartilhar de maneira gratuita suas experiências e conhecimento com o mundo dos Esportes de Endurance. Nossa coluna é interativa, assim seu post pode conter texto, podcast ou vídeos. Para participar você deve clicar aqui e preencher o formulário. Após recebermos o seu material, enviaremos para o nosso time de curadores e a assim que aprovado, seu texto será publicado aqui!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *