Olá Pessoal. É uma honra fazer parte da equipe TRILO. Vamos juntos descobrir e trocar experiências sobre a maratona aquática, ou natação em águas abertas, um dos pontos considerados mais sensíveis para o triathlon.

 

Começamos hoje falando sobre as principais diferenças entre nadar em piscina e em mar aberto, rio, lago, represa, enfim...

 

Diferente da piscina, onde a temperatura da água e diversos fatores são controláveis, na maratona aquática o nadador precisa se conscientizar de que as condições para prática da modalidade NUNCA serão as mesmas. Afinal, precisamos em primeiro lugar entender e respeitar a NATUREZA, que oferece uma grande variação de climas e fatores: vento, ondulações, correntes, água fria, água quente, sol, chuva, densidade da água...

 

Por isso, considero fundamental o atleta estar preparado para todos os tipos de condições, tanto mentalmente quanto fisicamente e tecnicamente. Isso faz uma grande diferença no conforto, segurança e desempenho esperado.

 

Realizar simulados em represas, lagos ou mar, e treinar as situações que podem acontecer na prova (boas e ruins) durante a preparação é muito importante para que no dia a reação do corpo e da mente aos imprevistos saia instintivamente, sem causar aflição ou desespero.

 

ESTUDAR o local onde vai nadar, o percurso, clima, conversar com outras pessoas que já estiveram pelo mesmo destino, também ajuda na preparação e reflete na sensação de segurança no dia da prova.

 

Outro medo muito frequente é nadar na direção errada ou sentir-se desorientado, sem saber para onde ir. Na piscina tudo é mais simples já que as raias, bandeiras e pinturas no assoalho ajudam no direcionamento do nadador. Em águas abertas, principalmente no mar, é preciso tomar outros pontos como referência, por exemplo: visualizar as bóias antes da largada e todos os pontos de referência EXTERNOS que estão na direção dela (na frente, dos lados e atrás). Deve-se atentar a pontos mais altos e FIXOS (claro...hehehe...) como árvores em destaque, prédios, casas de cores com destaque, picos de montanhas... Ter seu adversário como referência também é legal, porém fique atento aos pontos fixos pois ter a direção em sua cabeça poderá definir um percurso melhor!

 

Nas provas a sinalização geralmente é feita por meio de boias, o que facilita a orientação do nadador. Por isso, é fundamental treinar a NAVEGAÇÃO, isto é, respiração frontal. Quanto mais técnica tiver neste fundamento menos desgaste terá durante o nado.
Além disso, caso bata o desespero, lembre-se de RESPIRAR. Sem oxigênio o corpo e a mente não funcionam, portanto concentre-se e procure manter o domínio de sua respiração desde a largada. Depois disso, tudo fica mais fácil e você pode seguir em frente.

 

O atleta também precisa aprender a lidar com o fato de não ter o chão para descansar, ainda que brevemente, principalmente em provas mais longas. Saber FLUTUAR tanto de frente como de costas, assim como saber fazer o nado de sobrevivência, mais conhecido como “cachorrinho”, é essencial para não entrar em pânico, evitando risco de afogamento.

 

Ter o domínio do corpo, mantendo a calma em qualquer posição ou situação, é primordial para a segurança do praticante.

 

Acho que por hoje já falamos demais (risos). Espero retornar em breve com dicas e informações úteis para fazer do seu treino e/ou prova uma experiência prazerosa.

 

Abraços!

Samir Barel

Colunista

Educador Fisico, especializado em Bioquímica, fisiologia, nutrição e treinamento pela UNICAMP. Idealizador do DESAFIO AQUAMAN, diretor técnico do ALOHA SPIRIT e sócio da ELO Academia de Campinas. Foi TOP TEN no Grand Prix Mundial da FINA em 2013, participou e venceu diversas ultra maratonas aquáticas, destaque para a 14Bis (24K) e a tríplice coroa: canal da mancha (36k), volta da ilha de Manhattan (45K) e Canal Catalina (34K). Mensalmente assina nossa coluna sobre natação.

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