Fala pessoal!! Espero que estejam gostando do nosso encontro mensal e aproveitado as dicas. Hoje vamos falar sobre a importância da pernada na natação em águas abertas. Esse fundamento quando bem treinado e executado não só auxilia na propulsão, como influencia bastante na flutuabilidade e alinhamento do quadril, ajudando a manter o corpo em uma posição mais hidrodinâmica e economizando energia.

 

A primeira coisa importante para se ressaltar é que o trabalho de perna, independente da modalidade, deve ser executado SEMPRE da superfície para baixo! Ou seja, a sola do pé deve aparecer e logo realizar o chute para baixo. O atleta deve evitar uma flexão muito grande dos joelhos pois isto aumentará o arrasto e deixará o quadril mais fundo. A pernada ideal deve iniciar com a força saindo do quadril e sendo transferida até a ponta dos pés!

 

A coordenação do trabalho de pernas é um pouco mais difícil de se aprender. Como já falamos anteriormente, ter o domínio de todas as coordenações é essencial ao atleta pois com isso ele terá mais ferramentas para utilizar tanto nas provas como nos treinos. Assim, o atleta deve ter paciência! Quando mais relaxado estiver o corpo (pernas, braços e quadril) mais fácil será para encaixar a coordenação.

 

A coordenação da perna varia de acordo com as características do atleta, com a prova que irá nadar, com as condições que a natureza oferecerá no dia e com a estratégia que o atleta pretende adotar. Basicamente, temos 3 tipos de pernada a serem executadas:

 

A perna 2 tempos é quando o atleta executa 1 pernada para cada braçada, isto é, 2 pernadas por ciclo de braçadas (1 ciclo = 2 braçadas). Normalmente homens e atletas que possuem dificuldade com a flutuação utilizam mais este tipo de pernada, mas claro, não podemos generalizar. A perna 2 tempos geralmente é utilizada quando o atleta quer poupar energia, ou seja, quando está no pelotão ou confortável em sua posição.

 

Na perna 4 tempos, são 2 pernadas para cada braçada, isto é, o atleta executa 4 pernadas por ciclo de braçadas (1 ciclo = 2 braçadas). Ela é considerada uma pernada intermediária, mas é muito comum entre os atletas pois ao mesmo tempo que produz propulsão é facilmente coordenada, não gasta energia em excesso. Esse tipo de pernada pode ser utilizada em qualquer momento da prova (início, meio ou fim), depende muito da estratégia e de como foi treinada pelo atleta.

 

Já a perna 6 tempos é quando o atleta executa 3 pernadas para cada braçada, isto é, 6 pernadas por ciclo de braçadas (1 ciclo = 2 braçadas). Normalmente, mulheres e atletas que possuem boa flutuabilidade de quadril utilizam esta coordenação de pernas pois a flutuação proporcionada pelo movimento gasta menos energia, porém, ao mesmo tempo, gera maior propulsão. Atletas que possuem menos flutuabilidade podem ter mais dificuldade na execução dessa pernada pois acabam se cansando mais tentando manter a coordenação e alinhamento. Em geral ela é utilizada no começo das provas, onde o atleta sai com maior intensidade, ou em sprints de ultrapassagens e no final de prova.

 

Uma dica legal para tornar a pernada mais eficiente é treinar com pé de pato. Ele auxilia na percepção da soltura de tornozelo (atletas de corrida e ciclismo possuem certa dificuldade nesta soltura por conta da especificidade de suas modalidades) e treinamentos de força, de resistência de força, educativos e corretivos pois facilita a execução do movimento. Também pode ser utilizado em trabalhos de coordenação e regenerativos, quando o atleta possui domínio do material. Mas NÃO ACOSTUME e utilize o pé de pato para sempre! Após obter a coordenação do movimento procure fortalecer as pernas de forma mais específica, afinal no dia da prova não é permitido o uso do equipamento.

 

Espero mais uma vez ter contribuído para o treinamento mais eficiente. Vamos nessa, ampliar a troca de experiências e assim desenvolver a nossa modalidade!!

 

Foto: Talita Saab

Samir Barel

Colunista

Educador Fisico, especializado em Bioquímica, fisiologia, nutrição e treinamento pela UNICAMP. Idealizador do DESAFIO AQUAMAN, diretor técnico do ALOHA SPIRIT e sócio da ELO Academia de Campinas. Foi TOP TEN no Grand Prix Mundial da FINA em 2013, participou e venceu diversas ultra maratonas aquáticas, destaque para a 14Bis (24K) e a tríplice coroa: canal da mancha (36k), volta da ilha de Manhattan (45K) e Canal Catalina (34K). Mensalmente assina nossa coluna sobre natação.

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