A esteira (nadar imediatamente atrás de outro atleta) é uma prática muito comum entre nadadores e triatletas. Aquele que “pega” uma boa esteira poderá reduzir até 30% o esforço realizado, guardando energia para momentos decisivos, como o final da prova. No ciclismo a mesma atitude, também chamada de "vácuo", não é permitida em determinadas provas. Na natação a regra em geral permite este tipo de prática, mas acredito que o “fair-play” é algo muito importante na natação (e na vida!), por isso, vamos apresentar nesse artigo informações relevantes que podem ajudar o atleta a entender melhor como usar a esteira e não prejudicar ou atrapalhar o colega.

 

Podemos dizer que existem 3 tipos de esteira. A mais comum é o que chamamos de "cara no pé". É importante salientar que ficar “tocando” o pé da pessoa incomoda e irrita bastante, portanto procure evitar este tipo de desconforto que pode gerar desentendimentos desnecessários. Essa esteira é vantajosa especialmente quando o atleta da frente bate pouca perna, fazendo com quem está atrás poupe mais energia. Agora, se o atleta da frente bate muita perna não é indicado ficar “colado” no pé dele pois o turbilhão formado pela perna desestabiliza o apoio da braçada, consequentemente atrapalha a evolução e propulsão durante o movimento. Neste caso o ideal é se posicionar um pouco atrás e do lado dos pé, pois desta maneira aproveitar melhor o vácuo.

 

Outra forma bastante utilizada é nadar lado a lado, com seu rosto na direção da linha do quadril do outro nadador. Nessa posição, você pode manter sua cabeça em uma posição ideal, pois quando você está diretamente atrás do outro nadador é necessário olhar para frente para se orientar e neste caso você eleva menos a cabeça, utilizando o outro nadador como referência e criando menos resistência. Entretanto, fique atento pois o adversário pode não ser tão bom em navegação, o que pode prejudicar sua estratégia.

 

Existe uma esteira que chamo de “anulação”. Repare que quando você nada com outra pessoa na mesma raia e ela nada na sua cintura seu tempo é um pouco mais alto. Isto acontece pois ela acaba sendo como um “paraquedas”, pois aproveita sua esteira e ao mesmo tempo "anula” a força de quem está frente, prejudicando a eficiência da braçada. Quando estiver em treino e principalmente em provas e houver um atleta com o mesmo ritmo evite nadar muito próximo, pois desta maneira ambos terão bom aproveitamento e o “pelotão” de trás não será beneficiado com a quebra de ritmo de quem está na frente.

 

Para pegar uma boa esteira, também é preciso considerar três fatores chave: velocidade, largura física e distância do nadador à frente. Quanto maior a velocidade do nadador da frente, seu tamanho e mais próximo estiver dele, melhor será a sua esteira. Atletas de maior massa, que batem pouca perna e possuem boa velocidade fazem uma esteira muito boa, portando se tiver um destes na sua prova, cola nele e faça uma boa estratégia revezando esteira com ele(a).

 

É importante destacar que a utilização da esteira constantemente nos treinamentos não é recomendado. Ao utilizar essa prática, o nadador estará se exercitando em intensidades inferiores à necessária para que ocorram as adaptações fisiológicas desejadas. Por isso, acredito que a esteira deve ser trabalhada em momentos específicos do treinamento e nunca o tempo todo. Fazer treinos e séries focadas neste fundamento é muito viável, assim como treinar navegação, contorno de bóias, ritmo de largada, contato físico e todas as outras especificidades das águas abertas.

 

Por fim, reforço a importância de aproveitar o que a regra permite, mas nunca deixar de lado a ética e valores que o esporte nos ensina e consequentemente aplicamos na nossa vida profissional e familiar.

 

Até a próxima!!

Samir Barel

Colunista

Educador Fisico, especializado em Bioquímica, fisiologia, nutrição e treinamento pela UNICAMP. Idealizador do DESAFIO AQUAMAN, diretor técnico do ALOHA SPIRIT e sócio da ELO Academia de Campinas. Foi TOP TEN no Grand Prix Mundial da FINA em 2013, participou e venceu diversas ultra maratonas aquáticas, destaque para a 14Bis (24K) e a tríplice coroa: canal da mancha (36k), volta da ilha de Manhattan (45K) e Canal Catalina (34K). Mensalmente assina nossa coluna sobre natação.

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