Olá pessoal! td bem?

 

Voltamos com mais algumas dicas para a natação em águas abertas. O inverno ainda não chegou, mas as temperaturas já estão começando a cair. Por isso chegou a hora de começar a tirar a roupa de neoprene do armário e se preparar para lidar com as águas frias...

 

A roupa de neoprene faz o atleta flutuar, funcionando quase como um caiaque, onde vc é o corpo e os braços são os remos. Assim, para vc deslizar mais, faça uma alavanca mais aberta com o braço, deixando o cotovelo mais alto.

 

Agora, se vc quer girar mais os braços, aumentando a velocidade do movimento, mude um pouco o angulo do braço. Reduza o tempo de apoio na entrada da água e flexione mais o cotovelo, trazendo a mão mais próximo do corpo (fase submersa da braçada). Desta forma sentirá que na primeira metade da braçada terá menos apoio (o que fará aumentar o giro de braçada), portanto é muito importante que FINALIZE a braçada e aproveite esta propulsão!

 

Outra dica importante é lembrar os prós e contras dos trajes com ou sem manga. Algumas pessoas acabam sentindo o movimento mais preso usando a roupa com manga e isso pode atrapalhar o desempenho. Para provas mais longas, especialmente, a roupa com manga dificulta o giro do ombro, aumentando o desgaste na hora de nadar. Então avalie bem o tempo e a metragem que irá ficar com a roupa e teste!

 

Na hora da braçada, lembre-se que apesar da manga ser um pouco mais fininha, o neoprene tende a deixar o braço flutuando, então tem que fazer mais força para baixo, exigindo mais físico. Por isso SEMPRE experiente sua roupa antes da prova, nade em várias situações. O conforto é fundamental para ter uma boa performance.

 

Além disso, a aclimatação para uma prova deve ser colocada no planejamento o quanto antes. Aprendi com o Igor de Souza, ícone das Maratonas Aquáticas e muito experiente em águas frias (meu treinador na Volta à Ilha de Manhattan e Canal da Mancha), que qualquer condição do dia a dia parecida com a que vc irá enfrentar ajuda na preparação... Tomar banhos frios de vez em quando, sair na rua sem muito agasalho e permanecer por um tempo, andar descalço dentro de casa no inverno, enfim, tudo isso pode ajudar a adaptação... MAS CUIDADO, estas situações devem ser controladas para que o atleta não fique doente, prejudicando todo o planejamento! Minha sugestão é fazer sem exageros e adaptar-se aos poucos!

 

Outro ponto importante é que na água fria o corpo precisa gerar calor para manter a temperatura ideal (36,5 graus Celsius) e a estratégia utilizada pelo atleta em sua prova fará muita diferença. Em geral quando entramos em água fria a primeira coisa que fazemos é sair nadando como “loucos” para gerar calor e esquentar o mais rápido possível, mas isto pode ser um erro grave... Em provas longas, se você gera todo calor no início da prova, pode correr o risco de não conseguir aumentar o ritmo em outros momentos após o cansaço e isto poderá custar muito caro...

 

Por isso minha dica é: Faça um prova progressiva! Calcule muito bem o tempo de prova e quantidade de energia (treino) que possui para manter seu corpo aquecido o tempo suficiente, e envie mensagens positiva para seu cérebro, melhorando cada vez mais seu rendimento no decorrer da prova.

 

Não é fácil, mas tudo é TREINO e ADAPTAÇÃO! Assim como em quase tudo que fazemos na vida...

 

Valeu moçada!! Até a próxima!

Samir Barel

Colunista

Educador Fisico, especializado em Bioquímica, fisiologia, nutrição e treinamento pela UNICAMP. Idealizador do DESAFIO AQUAMAN, diretor técnico do ALOHA SPIRIT e sócio da ELO Academia de Campinas. Foi TOP TEN no Grand Prix Mundial da FINA em 2013, participou e venceu diversas ultra maratonas aquáticas, destaque para a 14Bis (24K) e a tríplice coroa: canal da mancha (36k), volta da ilha de Manhattan (45K) e Canal Catalina (34K). Mensalmente assina nossa coluna sobre natação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *