Você já ouviu falar em cross training? O termo parece complexo e pode ter diferentes significados, mas ele não passa de uma simples inclusão de outras atividades, ou modalidades esportivas em sua rotina de treino, com objetivos diversos, dentre os mais importantes, o desenvolvimento da sua modalidade principal.

 

Uma das maiores dúvidas dos corredores é se a inclusão de modalidades, como a natação e ciclismo, seja ele indoor ou outdoor, pode “ajudar a na corrida”, a “abaixar o pace”, e a evitar lesões. A resposta não é tão simples, pois depende de uma série de variáveis individuais, de treinamento e diversas outras.
Que tal levantarmos alguns pontos importantes sobre esta manobra de treinamento?

 

1. Redução de lesões: Caso o treino seja bem elaborado, respeitando princípios básicos da administração de sobrecarga, e bem distribuído ao longo da semana, pode ser uma estratégia importante para redução do volume semanal (distância) da modalidade principal, como a corrida, neste caso, podemos ter uma possível queda da incidência de lesões.

2. Aprimoramento da capacidade cardiovascular: A inclusão de horas semanais de atividades, atingindo limiares adequados de frequência cardíaca, tudo isso alinhado à proposta semanal de treinamento e ao objetivo e característica da prova alvo, pode ser uma estratégia válida para o aprimoramento da capacidade cardiovascular. A inclusão de horas da mesma modalidade, como discutido no primeiro tópico, pode abrir uma janela para incidência de lesões e sobrecarga pontual de treino.

3. Princípio da variabilidade: A diversificação de estímulos pode quebrar padrões motores e metabólicos, neste caso, atendemos a um dos princípios de treinamento importante para a evolução no esporte. Não devemos esquecer da especificidade, ou seja, não podemos deixar de lado a modalidade alvo e os estímulos específicos para a meta desejada.

4. Quebra da monotonia: Praticar outras modalidades pode ser uma boa alternativa para driblar a cabeça e manter a motivação alta. Algumas pessoas “enjoam” facilmente após alguns meses ou anos praticando a mesma modalidade. Alternar estímulos é fundamental para quem tem dificuldade em permanecer por muito tempo na mesma rotina.

5. Os treinos não podem parar: Ter outras modalidades na manga, é fundamental para quem está se recuperando de alguma lesão específica, ou em viagem longa, na impossibilidade de se praticar a modalidade alvo. Em muitos casos, o repouso absoluto pode comprometer a sequência da preparação para a prova alvo.

6. Novas perspectivas: Em alguns casos, o corredor que experimenta a natação, o ciclismo, ou encara montanhas, acaba migrando para outras modalidades, como o triathlon, corridas de montanha (trail running), aquathlon, duathlon, e diversas outras. Essa migração pode ser extremamente válida para a longevidade no esporte, e todos os benefícios advindos desta prática contínua.

 

Alguém ainda tem alguma dúvida sobre os reais benefícios da inclusão bem planejada e orientada de outras modalidades na rotina de treinos? Apenas cuidado para não perder o foco e busque auxílio de profissionais capacitados na prescrição destas atividades, para que as mesmas possam ser eficazes e não prejudicarem o resultado final.

 

Bons e bora pra cima, galera!

Rodrigo Lobo

Colunista

Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo; Sócio diretor da Lobo Assessoria Esportiva; Palestrante de temas sobre qualidade de vida, treinamento esportivo e empreendedorismo; Colunista do portal Ativo.com e colaborador de diversos portais e revistas esportivas; Atleta amador de corrida de rua e triathlon, Contribui com o Trilo mensalmente com a coluna - DA TEORIA A PRÁTICA - tudo que precisamos saber para manter os treinos e a qualidade de vida!

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