Quem nunca sonhou em ter uma “corrida perfeita”?

 

É bonito demais ver um corredor profissional, ou um bom amador correndo com passadas largas, tronco projetado a frente, alta frequência de passos, baixo tempo de contato com o chão, apoio de antepé, oscilação vertical precisa, movimentos de braços sincronizados com os movimentos das pernas, quadril, tornozelo e joelhos firmes e estáveis quando o pé toca no chão, enfrentar altas velocidades por um longo período de tempo com plasticidade e manutenção do padrão do movimento e com sorriso no rosto.

 

Infelizmente, o mecanismo deste tipo complexo de aprendizagem não se dá apenas pela observação, devido ao grande número de variáveis envolvidas no processo. Não basta copiarmos atletas de elite assistindo a uma prova na televisão, tentar alongar a passada sem nenhuma preparação para isso, querer alcançar de um dia para o outro a tão sonhada cadência de 180 PPM (passos por minuto), imprimir um ritmo de 4’/km (minutos por quilômetro) sem nenhum esforço, encarar subidas com a ponta do pé e leveza, não cruzar os braços, não abaixar a cabeça, inclinar levemente o tronco a frente, não correr “sentado” (com o quadril solto e joelhos flexionados), enfim, correr plasticamente como uma obra de arte.

 

Ao contrário do que todos pensam, este conceito de corrida perfeita não existe. O que deveríamos lutar para alcançar, seria a corrida econômica e otimizada de acordo com nossas potencialidades e características físicas (genética), ou seja, a corrida perfeita para cada um! Temos exemplos claros de grandes atletas que estão longe da corrida (técnica) perfeita, não é mesmo?! Copiar a corrida perfeita dos outros, seria um verdadeiro erro, e abriria uma grande janela para lesões, além de possíveis frustrações por nunca alcançar aquela “técnica” desejada.

 

Nós, treinadores capacitados, buscamos na literatura fundamentação para nosso trabalho. Existem diversos artigos científicos sobre a influência de variáveis biomecânicas na performance da corrida que convergem para alguns parâmetros ótimos (que devemos mirá-los) de tempo de contato com o solo, cadência e amplitude de passos, oscilação vertical, movimentação dos braços, inclinação do tronco, ângulo de saída do pé do solo, extensão e flexão de joelhos, pressão plantar, etc... Mesmo com tantas variáveis “ótimas”, existem muitos outros fatores que merecem atenção especial e que serão fatores limitantes, ou potencializadores de resultados com relação direta, indireta, ou contraditória, principalmente para quem começa o esporte na fase adulta, ou terceira idade. Seguem alguns deles:

 

1. Características físicas e genéticas, como peso e altura, comprimento de membros, característica de fibras musculares, flexibilidade, parâmetros fisiológicos (VO2, comportamento da frequência cardíaca), entre outros.

2. Repertório de movimentos (experiências prévias), como as vivências esportivas na infância e a manutenção, ou não, de atividade física ao longo dos anos.

3. Histórico de lesões, como alguma possível lesão decorrente da prática de outras atividades, como o futebol, cotidiana, como o trabalho e até mesmo congênita.

4. Regularidade e qualidade de treino, como a frequência semanal, bom planejamento de treinos, evitando-se erros de treinamento (subir o volume desenfreadamente, não modular corretamente intensidades), fortalecimento muscular, entre outros.

5. Tempo de treino, neste caso, os meses e anos de prática regular da modalidade.

6. Objetivos, sejam eles competitivos, recreacionais, entre outros.

 

É isso aí, galera! A partir de agora, sugiro que todos treinem com qualidade e regularidade, respeitando seu treinador e suas características individuais, não se esquecendo de manter hábitos saudáveis e sentindo muito prazer pelo o que estão fazendo!

 

Bora pra cima e bons treinos!!!

Rodrigo Lobo

Colunista

Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo; Sócio diretor da Lobo Assessoria Esportiva; Palestrante de temas sobre qualidade de vida, treinamento esportivo e empreendedorismo; Colunista do portal Ativo.com e colaborador de diversos portais e revistas esportivas; Atleta amador de corrida de rua e triathlon, Contribui com o Trilo mensalmente com a coluna - DA TEORIA A PRÁTICA - tudo que precisamos saber para manter os treinos e a qualidade de vida!

One thought on “Corrida perfeita? Será que isso é possível?

  1. Eduardo Kleine disse:

    Excelente matéria Rodrigo.
    Te acompanho no instagram e gosto muito das suas dicas e informações.
    Estou treinando para o meu primeiro Ironman 70.3 e é muito motivante assistir seus depoimentos e stories.

    Um grande abraço.

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