Passado o período de base e de readaptação, entramos no período especifico de treinos focados nas principais competições do semestre. Mas o que a dieta tem a ver com isso? Muda alguma coisa?

 

Nessa fase da periodização, a rotina de treinos tende a ser intensificada, o que pode significar um aumento das sessões, do volume e ou da intensidade do treino, a depender do planejamento e do objetivo de cada atleta. Acompanhando as alterações de estímulo e de características do treinamento, observamos um aumento do gasto calórico diário.

 

Voltamos com a periodização nutricional. As respostas do corpo ao período de base podem ser avaliadas por comparações de exames bioquímicos, testes físicos e avaliação da composição corporal.

 

Mas vamos falar especificamente da avaliação da composição corporal.

 

Se a avaliação apontar aumento da massa muscular esquelética, isso significa um aumento da Taxa Metabólica Basal (TMB), o que produzirá um aumento do gasto energético diário em repouso (músculos treinados consomem mais calorias). Se for detectada perda considerável de massa muscular esquelética, será necessário rever o planejamento para evitar o risco de lesão e queda no rendimento no novo ciclo de treinos.

 

Contudo, independente do resultado da comparação das avaliações, a intensificação dos treinos tende a aumentar o gasto energético total do indivíduo, o que torna essencial a revisão do plano dietético. Isso significa um aumento da oferta energética da dieta para suprir o aumento da demanda dos treinos de forma eficiente e proporcionar melhor rendimento.

 

Alguns suplementos podem ser introduzidos nesse momento, mas sempre de forma individualizada. A suplementação pode auxiliar e muito no rendimento, mas não deixa de ser um "detalhe importante" em um plano bem executado.

 

Para provas de endurance ou que necessitam de suplementação durante a atividade, é muito importante que o corpo esteja adaptado aos produtos ou alimentos que deverão ser utilizados no dia da competição. Conforme reforça Asker Jeukendrup (2017), é evidente que o "treinamento nutricional" pode melhorar o esvaziamento gástrico, a absorção de carboidratos pelo intestino e possivelmente reduzir a ocorrência de problemas gastrointestinais, melhorando a performance e a experiência do atleta .

 

A dica é: aproveitem os treinos específicos para treinar o corpo (e o intestino) testando todas as possibilidades que poderão ser utilizadas nas competições. Não se esqueçam de treinar a mente também! Bons treinos!

 

Referências:
Jeukendrup AE. Training the Gut for Athletes. Sports Med. 2017 Mar;47(Suppl 1):101-110.

Maria Cecilia Carvalho (Ciça)

Colunista

Nutricionista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – SP. Triatleta há 8 anos, 5x Ironman Kona Finisher e melhor tempo de uma amadora brasileira em Ironman. Contribui com o Trilo mensalmente com a coluna: NUTRIÇÃO E PERFOMANCE – Como uma boa alimentação pode auxiliar a longevidade no esporte

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