Teoria da Periodização: O que há de novo

Periodização é um termo que descreve o manejo macro do processo de treinamento em relação ao tempo. No planejamento de esportes competitivos, a periodização permite fragmentar o tempo em períodos determinados onde são causados diferentes estímulos levando à um processo adaptativo. Este processo adaptativo é baseado num conceito biológico descrito em 1936 por Hans Selye's conhecido como Síndrome de Adaptação Gertal (GAS). Esse processo envolve 3 fases: alarme, onde ocorre o estresse agudo; fase de resistência, causado pelo estresse crônico e fase de adaptação.

 

O treino deve ser um processo responsável por alterações complexas no organismo, que devem ser monitorizadas e avaliadas na busca por performance. Entretanto, a implicação de que a prática da periodização envolve a aderência total à um plano imutável é incorreto em vários níveis. Na verdade, periodização não deve ser confundida com programação. A periodização deve seguir um esquema relativamente estável, uma vez feito o planejamento para um período de tempo. A programação dos treinos, entretanto, deve ser sempre flexível, considerando as condições momentâneas do atleta, seu estado físico e psicológico, a resposta aos treinos anteriores, etc. Por exemplo, o número de repetições de um estímulo, por exemplo um tiro na corrida ou uma série na natação, deve ser determinado pelo número que alcançou um bom resultado em treino precedente, imediatamente antes da "quebra". Deve haver também um balanço entre estímulos intensos e dias mais "fáceis".

 

Essa programação mais fluida deve levar em consideração também a relatividade da condição do atleta, estabelecendo inclusive faixas de estímulo (usando porcentagem), já que as condições variam no decorrer do ciclo. Tudo isso deve ser baseado no feedback do atleta, tanto em relação à parâmetros objetivos e fisiológicos, como frequência cardíaca, potencia, etc; como também em aspectos subjetivos como sensação durante e após o treino, fadiga, motivação, etc.

 

O que os estudos mais recentes evidenciam é que o aspecto emocional e psicossomático tem uma grande influência no impacto e no resultado do treinamento dos atletas, e é responsável pela variação de resultados de programas similares aplicados em diferentes atletas. Isso deve ser considerado, já que a resposta ao estímulo físico não é individual, e depende não apenas de respostas orgânicas, mais também da integração pscio-emocional e cognitiva.

 

PERIODIZAÇÃO

 

Objetivos:
- baseado em evidências
- otimização de performance
- manejo da fadiga
- prevenção de lesões
- Variação planejada
- Geral para específico
- Monitorização comtínua

 

Ciclos
- Vida toda
- Quadrienal
- Anual
- Macrociclo
- Microciclo
- Diário

 

Fases do ciclo de treino
- preparação geral (acumulo)
- preparação especial (transmutação)
- Competição / pico (realização)
- Repouso ativo

 

PROGRAMAÇÃO

 

Estratégias
- fase de potencialização (residual, efeitos do treino)
- superação planejada
- polimento

 

Variáveis de treinos
- frequência
- intensidade
- volume
- densidade
- ordem dos exercícios
- forma
- número de repetições
- repouso (ativo ou passivo)
- modo de recuperação

 

Referências:
1- Kiely, J. Periodization Theory: confronting an inconveniente truth. Sport Med, 2017
2- Cunanan A et al. The general adaptation syndrome: a foindation for the concepto f periodization. Sports Med, 2018.

Luciana Haddad

Médica Cirurgiã, Doutorado e Pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, Orientadora do Programa de Pós Graduação da FMUSP. Triatleta e corredora amadora, 2x Ironman Kona Finisher! Contribui com o Trilo quinzenalmente as sextas feiras, no modelo de infográfico, com a coluna: O ESPORTE BASEADO EM EVIDÊNCIAS - Como traduzir a ciência para a prática esportiva? Uma maneira inteligente de tomar decisões individualizadas, norteando-se por conceitos científicos.

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