Assessorias de corrida, de triathlon e a maioria dos treinadores dirão que, para correr mais rápido, você precisa correr melhor. E isso é absolutamente certo. Boa técnica e um core forte são pré-requisitos fundamentais para torná-lo um melhor corredor, mas há mais por trás desse conceito de economia de corrida.

 

Se você pesquisar "economia de corrida" na internet, o modo mais comum que você encontra é definida como a "demanda de energia" (ou demanda de O2) para uma determinada velocidade de corrida. Existem três componentes nessa medida que precisam ser considerados:

 

1- CONSUMO BASAL DE O2

Trata-se do consumo de oxigênio necessário para manutenção das atividades normais do corpo, de “manutenção da vida” e “não-locomotivas”, como o trabalho do cérebro e dos órgãos. Testes, por vezes, não subtraem esse valor para as medidas gerais de O2, o que resulta em um resultado incorreto. Assim, para ter uma leitura precisa de sua economia de corrida, a primeira correção que precisa ser feita é deduzir o consumo de O2 "basal" em repouso.

 

No entanto, mesmo quando você calcula a economia de corrida através de um teste de rampa (onde a velocidade aumenta constantemente e você mede as tomadas de O2 correspondentes), o consumo de O2 “basal” pesará nas tomadas de O2 em diferentes velocidades com porcentagens diferentes: maior a menor velocidades (por causa da menor absorção de O2) e menores em velocidades mais altas, onde a absorção de O2 é maior.

 

2- ABSORÇÃO DE O2 PARA BETA-OXIDAÇÃO

A segunda questão da economia de corrida está ligada a outra parte vital do seu exercício, que é o combustível que você precisa para produzir energia.

 

Quando você está correndo em velocidades e intensidades mais baixas, usa uma quantidade significativa de gordura como combustível para produzir energia para as contrações musculares. E quando você usa gordura como combustível, a gordura passa por uma via metabólica chamada beta-oxidação que requer uma quantidade de O2 adicional ao O2 que você precisa para produzir ATP para a contração muscular.

 

Aqui está a segunda falha. Quando você mede a economia de corrida, o custo de energia para corrida e contração muscular, você tem que excluir qualquer O2 extra necessário para “preparar o combustível” - significando o custo de O2 para seu corpo transformar gordura em combustível (custo de O2 para a beta-oxidação).

 

Se você não considerar essa demanda extra de O2 para "preparar gorduras" na equação, é comum que, após um primeiro teste seguido por um período de treinamento (em que o corpo melhorou sua capacidade de consumir gordura), o segundo teste possa dar um resultado negativo, significando uma economia pior só porque quem aplicou o teste não levou em consideração a beta oxidação. E isso é realmente o que acontece com a grande maioria dos testes de corrida realizados. O que é uma pena: você pode ter treinado para ser um corredor de endurance (para melhorar o uso de gordura para produção de energia e melhorar sua economia de corrida), mas os resultados desses testes não levam em consideração que a absorção de O2 é usada para beta-oxidação, e só lhe dirá que sua economia realmente diminuiu.

 

3- ENERGIA DERIVADA DA GLICÓLISE

Com velocidades crescentes, uma quantidade crescente de energia é derivada não do metabolismo aeróbico, mas de outra forma: a glicólise (metabolismo anaeróbico). Este sistema não usa O2 para produzir energia.

 

Em uma situação real, isso pode ser facilmente visto - por exemplo, aumentando as taxas de lactato. No entanto, essa porção de energia não é medida pelo consumo de oxigênio, porque representa apenas o metabolismo aeróbico. Em outras palavras: se apenas o consumo de oxigênio for usado como uma medida para a economia de corrida, a necessidade de energia é subestimada - cada vez mais quando a velocidade aumenta.

 

Mais uma vez, imagine que estamos diante de um cenário de duas avaliações da economia de corrida, separadas por período de treinamento: assumindo que o treinamento resultou em uma adaptação positiva do sistema aeróbico (VO2max), o corpo será capaz de confiar mais no metabolismo aeróbico em velocidades sub máximas. Isso resultará em maiores taxas de captação de oxigênio a uma determinada velocidade (e menores níveis de produção de lactato - como pode ser visto nos testes convencionais de perfil de lactato). E que, da mesma forma que as outras duas falhas não corrigidas, resultaria em uma economia de corrida menor (pior) a uma determinada velocidade se comparado ao primeiro teste. Portanto, uma conclusão comum derivada de não levar em conta esse item, pode ser “o VO2max aumentou, mas a economia da corrida piorou”.

 

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Luciana Haddad

Médica Cirurgiã, Doutorado e Pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, Orientadora do Programa de Pós Graduação da FMUSP. Triatleta e corredora amadora, 2x Ironman Kona Finisher! Contribui com o Trilo quinzenalmente as sextas feiras, no modelo de infográfico, com a coluna: O ESPORTE BASEADO EM EVIDÊNCIAS - Como traduzir a ciência para a prática esportiva? Uma maneira inteligente de tomar decisões individualizadas, norteando-se por conceitos científicos.

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