Diferença entre fadiga central e periférica em esportes de endurance

Fadiga geralmente é definido como um comprometimento na habilidade de produzir força muscular na presença de uma sensação de esforço. A fadiga pode ser atribuída à uma série de fatores ligadas a via motora, e pode ser dividida em central e periférica. A fadiga central ocorre devido à um declínio nos processos que ocorrem no SNC, já a periférica está relacionada diretamente à região muscular.

 

A fadiga periférica ocorre por exemplo nas contrações isométricas máximas de um grupo muscular único, como por exemplo em exercícios de musculação. Para atividades de longa duração, onde a intensidade é moderada ou leve, a fadiga central é predominante.

 

Um estudo com ciclistas avaliou em momentos diferentes os participantes completando as distancias de 4, 20 e 40km, no menor tempo possível. Eles foram avaliados em relação à função neuromuscular, além de avaliação cardiorrespiratória, lactato, potência e sensação de esforço. Uma maior fadiga periférica foi evidenciada no teste de 4km, no qual os atletas realizaram uma força significativamente maior, enquanto que a fadiga central foi maior nos 40km, com redução da ativação voluntária do nervo motor e redução do estímulo cortical.

 

Assim, a intensidade limite, que pode ser dado por um pace na corrida ou potencia na bike, marcam a barreira entre um exercício sustentável ou não em termos de fadiga periférica. Exercícios de alta intensidade levam à uma ruptura da homeostase intramuscular e desenvolvimento de fadiga local, impossibilitando sua manutenção por períodos mais prologados. Já nos exercícios de maior duração, nos quais a produção de lactato é aumentada porém estável, o grau de fadiga periférica é pequeno.

 

Nesses exercícios de longa duração, os fatores que influenciam a fadiga central são o uso de glicogênio como fonte de energia (ou a falta dele), o controle da temperatura e aspectos psicológicos como motivação.

 

Referência:

Thomas K1, Goodall S, Stone M, Howatson G, St Clair Gibson A, Ansley L. Central and peripheral fatigue in male cyclists after 4-, 20-, and 40-km time trials. Med Sci Sports Exerc. 2015 Mar;47(3):537-46.

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Luciana Haddad

Médica Cirurgiã, Doutorado e Pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, Orientadora do Programa de Pós Graduação da FMUSP. Triatleta e corredora amadora, 2x Ironman Kona Finisher! Contribui com o Trilo quinzenalmente as sextas feiras, no modelo de infográfico, com a coluna: O ESPORTE BASEADO EM EVIDÊNCIAS - Como traduzir a ciência para a prática esportiva? Uma maneira inteligente de tomar decisões individualizadas, norteando-se por conceitos científicos.

Uma resposta para “Diferença entre fadiga central e periférica em esportes de endurance”

  1. Ale Comas disse:

    Parabéns Lu, ótimo artigo!!!

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