Será que treinar no calor poderá melhorar sua performance em esportes de endurance, mesmo em condições climáticas normais?

 

Para avaliar essa hipótese, cientistas estudaram 22 ciclistas homens, amadores de alto nível (acima de 14hs de treino por semana). O protocolo de adaptação ao calor foram 10 dias consecutivos pedalando por 60 minutos em intensidade superior a 50% do VO2 máximo. Metade dos atletas pedalaram num ambiente a 38º Celsius e a outra metade a 20º C. Além disso, eles mantiveram seus treinos normais fora do laboratório, apenas reduzindo esses treinos do volume rotineiro.

 

Os atletas foram testados nos dias 5 e 10 do estudo e após finalizados os 10dias, nos dias 1, 2, 3, 4, 5 e 10. O teste de medida foi o VO2max testado em 20º C.

 

Avaliando os resultados, inicialmente o grupo do calor teve uma piora da performance, mas após 3 dias do término do estudo, começaram a melhorar seu VO2max, com pico no quarto dia. O grupo controle não teve nenhuma melhora.

 

 

A frequência cardíaca também se alterou com o protocolo, com redução progressiva da mesma. Isso significa uma melhora da eficiência cardíaca.

 

 

Apenas 1 entre os 12 atletas que fizeram a adaptação ao calor não apresentou melhora no VO2max. Entretanto, o pico de VO2max variou entre os atletas.

 

Assim, protocolos de adaptação ao calor, já estudados em outros estudos, comprovam sua efetividade na melhora da performance alguns dias após sua realização. Quanto a sua realização, para provas frias é bastante discutível. Entretanto, em provas onde o calor é um desafio, com certeza vale a pena incluir na planilha.

 

Referência

1- Waldron M, Jeffries O, Tallent J, Patterson S, Nevola V. The time course of adaptations in thermoneutral maximal oxygen consumption following heat acclimation. Eur J Appl Physiol. 2019 Oct;119(10):2391-2399. doi: 10.1007/s00421-019-04218-2. Epub 2019 Sep 12.

Será que treinar no calor poderá melhorar sua performance em esportes de endurance, mesmo em condições climáticas normais?

Luciana Haddad

Médica Cirurgiã, Doutorado e Pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, Orientadora do Programa de Pós Graduação da FMUSP. Triatleta e corredora amadora, 2x Ironman Kona Finisher! Contribui com o Trilo quinzenalmente as sextas feiras, no modelo de infográfico, com a coluna: O ESPORTE BASEADO EM EVIDÊNCIAS - Como traduzir a ciência para a prática esportiva? Uma maneira inteligente de tomar decisões individualizadas, norteando-se por conceitos científicos.

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