Passado uma semana e digerida por completo a Brasil Ride 2017, consigo agora escrever com um pouco mais de detalhes e precisar como foi a 8a edição da Maior Ultramaratona de MTB no Brasil e que com certeza está entrando como referência no cenário mundial!

 

Inicialmente deixo clara aqui a minha paixão por ciclismo no geral, sendo na ordem decrescente TT, Road, MTB, mas esse último com certeza o que pratico há mais tempo, e que eu tenha feito mais competições até hoje, talvez por falta de provas de estrada e TT mas também pelo clima que uma prova de MTB é capaz de proporcionar. Normalmente contamos com atletas que ajudam um ao outro em caso de furo, quebra de bike, etc. Sem contar as paisagens, que na sua grande maioria são incríveis! E esse com certeza foi sempre um fator bem importante na decisão do organizador da Brasil Ride (Mario Roma) quem diria que um não brasileiro (Português) teria tanta coragem, garra e vontade de fazer esse evento que como sabemos, é algo difícil de se concretizar por aqui.

 

Dito isso, vamos a parte prática da brincadeira. Desde que decidimos fazer a mesma dupla que 2016, a minha apoiadora de bikes conseguiu uma Full Suspension, algo que realmente não sei se arriscaria fazer de hard Tail novamente, como fiz em 2016. Muito desgastante e para alguém que não tem lá aquela técnica toda, o equipamento faz muita diferença! Além disso uma boa relação de peso total da bike e marchas suficientes para subir morros intermináveis, fazem com que você equilibre mais o desgaste durante o evento. Uma ferramenta que fez uma boa diferença para nós esse ano foi o medidor de potência para a MTB, que nos ajudou a segurar o ritmo em momentos mais tensos e nos fez acreditar que em determinados pontos, tínhamos mais força e podíamos arriscar mais.

 

A prova começa com um prólogo (tomada de tempo) de 21km onde já se define, entre os elites, quem irá largar com a camisa de líder e então a cada etapa o sonho de manter a camisa e terminar os 7 dias, faz da competição ser o que é: difícil e dura demais. Ao longos dos 21km encontramos tudo o que teremos pela frente nas próximas 6 etapas: areia, descidas, lama, técnica, algumas boas subidas e por fim, um calor digno da Bahia.

 

Com o começo em Arraial d’Ajuda a prova tem a sua segunda etapa um “deslocamento” de 134km ate a cidade de Guaratinga onde obrigatoriamente deve se dormir em barraca. Sim, é desconfortável, quente, mas tem um colchão e faz parte do clima e da proposta da prova. Aos que querem, por um valor a mais, existe uma barraca com mais “glamour”, com ventilador, cama suspensa e por ai vai… Etapa dura, muito longa que fizemos por volta de 5h40. Muito estradão, pelotão de 6-8 pessoas (prova em dupla) e muita subida longa mas nem tão íngremes.

 

As etapas 3 e 4 sofreram uma modificação do ano passado e ficaram muito legais, claro que para mortais como eu, o empurra bike ainda existe em alguns pontos mas fica o desafio para uma próxima vez, tentar subir ainda mais trechos pedalando. Ambas as etapas foram mais difíceis tecnicamente do que as de deslocamento, ou seja, com descidas rápidas, com galhos, “drop”, pontes, pastos, enfim... mountain bike.

 

A estrutura do acampamento é algo surreal, conta com banheiros, chuveiros, espaço de hidratação pós prova, lounge para descansar após etapa, até porque no sol da Bahia, só na sombra pra relaxar. E por fim um salão para todos os atletas (500) poderem jantar. Um buffet é contratado e pode ter certeza que se a desculpa para não ir bem for falta de comida… não vai funcionar! Não faltou nada.

 

A etapa 5 volta para Arraial e aquela vontade de entrar em um Hotel, lavar as roupas dos outros dias, cair na piscina e no mar, fazem a gente ter uma força além do comum para chegar o mais rápido possível! Chegando em Arraial d’ajuda, nos restam a etapa 5, um XCO (Cross Country Olímpico) na qual o primeiro deve completar 4 voltas de 7km em um percurso similar ao prólogo e quando o mesmo finaliza a prova, ninguém mais pode abrir uma nova. Por isso, existe uma pressa de todos para que não tome tipo das demais equipes, quem é bom de técnica, é um bom dia para tirar tempo dos concorrentes.

 

Ultimo dia, largamos 15minutos antes da Maradona do Descobrimento, realizado pela Brasil Ride que fazem o mesmo percurso que faremos, 70km ao longo de estradas terra batida, areião e o Parque Nacional do Pau Brasil, uma das únicas oportunidades de se poder pedalar por lá.

 

Enfim, esse é um resumo do que é uma Brasil Ride dia a dia.

Igor Laguens

Colunista

Educador Fisico, Certificado por Training Peaks, Endurance Coaching Summit, Serrota International Cycling Institute e Bikefit.com. Ciclista há mais de 17 anos, embaixador do Haute Route no Brasil, contribui com o Trilo quinzenalmente as terças feiras com a coluna: OS SEGREDOS DO CICLISMO DE ESTRADA – força com controle.

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