A resposta - “Depende”- por mais em cima do muro que pareça, merece a complementação - Depende do que?

 

1) Da Condição Global do Atleta: A Prova de Longa Distância não é demais para aqueles que se prepararam para aquela prova. Quando digo preparo, me refiro a rotina acumulada ao longo de pelo menos 2 anos de treinamento. Importante a pessoa permitir que o corpo gradualmente vá se adaptando a demanda exigida nestas provas, passando por etapas, acumulando ciclos de treinamento. Ninguém se torna um IronMan, um Maratonista da noite para o dia! Se aventurar, se superar ou brincar em uma Prova de longa Distância sim pode colocar em risco a saúde do atleta.

 

2) Do Estilo de Vida: Um Atleta de Endurance não é aquele capaz de se superar em uma prova de maior distância e sim, aquele capaz de viver o Esporte como um hábito regular. A disciplina para cumprir em sua maior parte a Planilha de Treinos, associado a bons hábitos como alimentação saudável, ingesta parcimoniosa de bebidas alcoólicas e boas noites acumuladas de sono, são fundamentais para a construção da saúde com a prática do Esporte de Endurance. Misturar estilos de vida (workaholic, estressado, multitarefa etc) com a prática regular de Esportes que requerem disciplina de treinos podem gerar problemas graves a saúde.

 

3) Do Estado Prévio e Durante de Saúde: Importante a pessoa conhecer seus limites funcionais antes de mergulhar em um ciclo de treinamento para uma prova de Longa Distância. Afastar riscos Cardiovasculares, promover controle da carga interna fisiológica ao longo do treinamento (como exames bioquímicos, registros de Frequência Cardíaca, Percepção de Esforço e Fadiga entre outros), obter diagnósticos osteologias-musculares assim que as dores surgem, procurar ativamente e dividir com seu médico informações do seu e do histórico de saúde familiar se faz fundamental àqueles que querem curtir uma Prova sem Grandes Surpresas.

 

4) Do Descanso entre Provas: normal o aficcionado pelo Esporte, que inseriu a atividade em seu estilo de vida querer emendar ciclos de treinos sem muito descanso. Mas julga-se de extrema necessidade respeitar um período Off Season de pelo menos 2-4 semanas. Não é período de inatividade física, mas um período longe das planilhas, de preferência praticando atividades distintas das modalidades esportivas habituais.

 

5) Da Idade do Atleta: Muito comum pessoas que praticam atividades de Endurance Regular terem capacidades físicas muito além da média encontrada para sua idade; contudo isso não quer dizer que a idade deva ser ignorada!!! Saber respeitar a idade e entender as mudanças adquiridas com a idade se faz fundamental para uma prática saudável e segura. E lembrem, anos de prática podem trazer inúmeros bônus, mas trazem alguns ônus (principalmente no âmbito osteoarticular).

 

6) Da Mudança das Propostas do Treinamento: Muito comum atletas mudarem de treinadores ou mesmo de esporte; mas isso requer um processo bem estudado de adaptação. Extremo cuidado em achar que tudo é a mesma coisa e, mais ainda, importante demais conhecer as propostas e mudanças nas Cargas de Treinamento. Grande parte dos problemas de saúde de um atleta de Endurance estão relacionados a mudança abruptas de Cargas de Treinamentos.

 

7) Do Respeito a Vida: Não existe Esporte sem competição, mas respeitar os próprios limites se faz fundamental na obtenção de performance! Cuidado em largar para uma prova fadigado. Cuidado em competir com alguma infecção febril. Atente para a importância de se fazer exames periódicos ( “Mas eles vem sempre normais!!” “Ainda bem…”). Evite o uso de fármacos para obter performance (eles não foram desenvolvidos para tal finalidade). Não sai para treinar se não esta com disposição ou com cabeça para aquela sessão. Dialogue com seu treinador, divida suas angustias, não opte nunca pelo “self-trainning”. Respeite sua vida! Lembre o motivo maior por vc treinar!

Gustavo Magliocca

Colunista

Médico do Exercício e do Esporte pelo Hospital das Clínicas, USP. Médico titular da seleção brasileira de Natação nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016). O “Doc” como é conhecido contribui com o Trilo quinzenalmente as segundas feiras com a coluna: MITOS E VERDADES DA PERFORMANCE NO ESPORTE - tudo que de fato é real ou apenas boato no esporte.

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