Hoje quero falar de Fadiga!! E, principalmente, de como se aborda quadros de Fadiga em atletas.

A busca constante (e nobre) pela melhora da performance faz com que atletas amadores ou profissionais queiram a cada dia superar seus limites. O ganho condicional é diretamente relacionado às adaptações geradas pelas cargas de treinamento, justamente quando estas promovem um desequilíbrio fisiológico.

Uma ótima periodização do treinamento é aquela que consegue na soma das cargas de treinamento, provocar o máximo ganho possível advindo da ótima relação estresse e recuperação.

Quando as cargas impostas ultrapassam a capacidade adaptativa do atleta há uma imediata condição de perda de performance e, consequentemente, um estado acumulado de Fadiga.

Vale ressaltar, que não só a cargas de treinamento um indivíduo é exposto. Fatores estressores como sono não reparador, deficit no balanço energético alimentar, estresse físico e mental imposto pelas relações pessoais e profissionais entre tantas outras se somam as cargas do treinamento, dificultando ainda mais o processo adaptativo.

Sentir Fadiga é resposta fisiológica e por isso não deve ser evitado mas sim deve ser respeitado!!! O corpo dá os sinais e cabe vc aprender a ler, juntamente a sua equipe de apoio a tais sinais a fim de otimizar ao máximo o ganho da performance esportiva.

O Controle da Carga Interna, isto é, o controle das respostas fisiológicas as demandas do treinamento é uma área que só cresce no campo da ciência do esporte. Exames bioquímicos, escalas de esforço, controle da resposta da frequência cardíaca e por aí vai … são formas de controlar as tais respostas adaptativas.

A interpretação e a adequada condução frente aos dados levantados neste controle da Carga Interna se faz fundamental ao ganho de performance. Organismos com Carga Interna Elevada, isto é, com componente importante de Fadiga devem ser tratados com aumento da Recuperação, processo conhecido como Modulação da Carga de Treinamento.

Quando profissionais de saúde se colocam na posição de tentar “combater a fadiga” introduzindo ou aumentando de doses de suplementos que teoricamente funcionariam como anti-fadigantes ou mesmo quando hormônios são administrados no intuito de modular a ESPERADA resposta fisiológica, o indivíduo é ainda mais sujeito a piorar sua performance e entrar em um quadro ainda mais perigoso de Overtrainning.

Fadiga se trata com modulação de cargas de treinamento e não com suplementos que estimulam o atleta ou mesmo com hormônios (que além de tudo não são permitidos na prática desportiva). Uma boa relação entre atleta - treinador - equipe de suporte se faz fundamental, mas mais ainda fundamental é o atleta entender que descansar muitas vezes é a melhor forma de ter performance.

Gustavo Magliocca

Colunista

Médico do Exercício e do Esporte pelo Hospital das Clínicas, USP. Médico titular da seleção brasileira de Natação nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016). O “Doc” como é conhecido contribui com o Trilo quinzenalmente as segundas feiras com a coluna: MITOS E VERDADES DA PERFORMANCE NO ESPORTE - tudo que de fato é real ou apenas boato no esporte.

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