Do convívio diário com corredores e triatletas, muito comum, ouvir as pessoas fazendo comparações entre dados fisiológicos como VO2 máximo, FTP e outros tantos. É inerente do esporte a competição, mas temos que ter muito cuidado em querer competir em tudo!
 

A determinação de variáveis fisiológicas como VO2 máximo, Limiares Anaeróbios (LI e LII), FTP, Limiar de Lactato entre outros, devem ser utilizadas como ferramentas de prescrição do treinamento visando a exploração máxima do potencial de determinado atleta.
 

O maior VO2 máximo não será o melhor corredor; tal como o melhor FTP não será obrigatoriamente o melhor atleta do pelotão. Mas com certeza, o  atleta que souber explorar o máximo das cargas prescritas em sua planilha de treino, será o que terá melhor evolução.
 

Avaliar, Medir e Controlar são ações fundamentais dentro da concepção do treinamento. Os testes não se fazem necessários somente no início do processo ou ao final, são necessários ao longo do ciclo. Podemos usar métodos mais complexos, como a ergoespirometria, no início do ciclo; testes de campo ao longo do processo e, ao final, um bom teste de limiar de lactato, pensando na estratégia da prova.
 

Fato que, quanto mais assertivos estivermos dentro das zonas de intensidade prescritas pelo treinador, maiores serão as respostas adaptativas àquela sessão de treinamento. Um treino moderado, deve ser MODERADO e não confortável ou forte. Por sua vez, um treino FORTE deve ser forte e não “no limiar” . Isso soa como óbvio, mas entendo ser o maior inimigo dos atletas amadores em geral.
 

A chance de um atleta com uma "Zona de Endurance" bem definida completar com sucesso sua meta de prova é muito maior que um atleta que apenas se baseia em médias de treinos longos ou uma relação numérica isolada de um único dado obtido por meio de um teste feito no início do ciclo.
 

Determinar com exatidão suas zonas de intensidade ao longo do ciclo de treinamento aumentam ainda mais o entendimento da planilha e favorecem o controle da percepção de esforço durante as sessões. Em resumo, ao invés de ficar comparando dados fisiológicos, use o os seus para uma evolução ainda mais estratégica. Quem explora ao máximo suas Sete Zonas de Intensidade, com certeza será o melhor atleta na concepção da palavra.
 

Abaixo um quadro amplamente utilizado na literatura para determinar Zonas de Intensidade
 

Gustavo Magliocca

Colunista

Médico do Exercício e do Esporte pelo Hospital das Clínicas, USP. Médico titular da seleção brasileira de Natação nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016). O “Doc” como é conhecido contribui com o Trilo quinzenalmente as segundas feiras com a coluna: MITOS E VERDADES DA PERFORMANCE NO ESPORTE - tudo que de fato é real ou apenas boato no esporte.

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