No texto anterior abordamos aspectos inerentes a Base, falamos um pouco de carga interna elevada e processo adaptativo.

 

A Fase Específica ainda não podemos nos desfazer destes conceitos. A Carga Externa começa gradualmente a subir - me refiro a volume, intensidade e frequência dos treinamentos - nosso corpo mais adaptado ainda responde com Carga Interna elevada mas as custas da busca da Performance em cada sessão de treino.

 

O controle bioquímico, tal como da percepção de esforço se fazem muito importantes no controle ao longo desta fase. Nossa vitalidade deve estar alta apesar da sensação de esforço ser elevada. Nossos parâmetros metabólicos devem apontar para um Balanço Energético e Nitrogenado equilibrado, isto é, não é hora de passar fome e consumir músculo!!! A relação testo/cortisol tão importante para controle da Fadiga Central não deve ultrapassar um aumento maior que 20% e nossos marcadores musculares devem apontar para um desgaste periférico (de quem obviamente esta cansado por buscar o estresse adaptativo).

 

Devemos ao máximo evitar “proteger” demais nosso corpo. Cuidado com excessos de massagens, suplementos anti-oxidastes e medicamentos anti-inflamatórios, botas de compressão e “gelos" pós treinos. Periodize tais ações junto ao seu treinador, entendendo momentos apropriados para introduzir cada um destes itens. Não podemos e não devemos de forma alguma prejudicar a tal resposta adaptativa.

 

A Preparação Física deve, também, estar alinhada com a periodização dos treinos, evitando concorrência de cargas. Trabalhos complementares de mecânica devem ser introduzidos de forma cuidadosa para não gerarem um processo de adaptação motora concomitante a fases de maiores desgastes neuro-musculares.

 

Costumo dizer que a fase específica é onde sentimos que estamos caminhando em direção aos nossos objetivos, não estaremos prontos mas estaremos em íntimo processo evolutivo e isso só é possível de além da disciplina e disposição para treinarmos, criarmos uma estratégia fidedigna de controle fisiológico e condicional.

 

Por fim, aconselho, se conheça, se descubra, se estude, se teste, se controle e curta muito ser um desportista. Um atleta se faz na rotina do dia-a-dia dos treinos, a competição é apenas a expressão do que acumulou ao longo do processo.

 

Bons treinos e até o Polimento!

Gustavo Magliocca

Colunista

Médico do Exercício e do Esporte pelo Hospital das Clínicas, USP. Médico titular da seleção brasileira de Natação nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016). O “Doc” como é conhecido contribui com o Trilo quinzenalmente as segundas feiras com a coluna: MITOS E VERDADES DA PERFORMANCE NO ESPORTE - tudo que de fato é real ou apenas boato no esporte.

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