Apesar de felizmente não haver uma diferenciação entre homens e mulheres nas provas de extreme triathlon como ocorre nas provas do circuito tradicional com premiações e quantidade de vagas diferentes por gênero; o fato é que o número de mulheres participando de provas de extreme triathlon é ainda bastante baixo.

 

Isto se deve em parte justamente pela diferenciação que ocorre no circuito tradicional, pois se considerarmos que normalmente um(a) atleta começa a praticar xtreme triathlon após ter participado de algumas provas de full distance no circuito tradicional concluímos que a desproporção está justamente na “base”. O fato é que a falta de incentivo à participação feminina e a diferenciação de gênero acabam por criar um círculo vicioso.

 

Felizmente há algumas ações no sentido de tentar equilibrar esta balança. É muito legal por exemplo ver as mulheres competindo em dia diferente dos homens no Mundial de 70.3, com toda a atenção que merecem dos torcedores e da mídia (e, consequentemente, mais exposição dos patrocinadores). Mas há ainda muito a ser feito ! Atitudes como a da WSL – World Surf League - que anunciou para 2019 a mesma premiação para homens e mulheres devem ser seguidas e movimentos como o Women for Tri devem ser valorizados.

 

Aqui no Brasil já existem discussões positivas para equiparação de gênero no triathlon e cabe aos organizadores, mídia, patrocinadores e atletas masculinos fazerem sua parte e incentivar cada vez mais a participação feminina não apenas nos treinos mas também e principalmente nas competições, inclusive de xtreme triathlon.

 

Aliás ouso dizer que em breve teremos uma mulher como campeã geral de uma prova de xtreme triathlon e torço muito para que isto ocorra para valorizar a performance feminina. Recentemente tivemos desempenhos fantásticos como o 12º lugar geral de Mette Pettersen Moe no Norseman, o 11º lugar geral de Mirjam Allik no Celtman, o 10º lugar geral de Flora Colledge no Swissman, o 10º lugar geral de Cristina Cominardi no Icon, e no final do ano passado o incrível 7º lugal geral de Livia Bustamante no Fodaxman.

 

P.S. Enquanto finalizava este texto li um post do PC Braga do “Correndo por Aí” comentando que um jornal americano divulgou em manchete que Tim O´Donnell venceu o 70.3 de Augusta no final de semana passado e que a “esposa” ganhou a categoria feminina.

 

A esposa no caso é “só” a Mirinda Carfrae que é tricampeã mundial em Kona e tem um currículo esportivo melhor do que o marido. Portanto, se era para haver diferenciação, que a manchete fosse “Mirinda Carfrae vence o 70.3 em Augusta e o marido vence a categoria masculina”.

 

Pelo jeito muita coisa ainda precisa ser mudada...

 

Foto : Livia Bustamante no Fodaxman 2017 (Flows Journal)

Fernando Palhares

Colunista

Fernando Palhares (@xtri.man) é triatleta há mais de 14 anos. É um dos organizadores do Fodaxman, a primeira prova de xtreme triathlon da América Latina. Foi o primeiro atleta não-europeu a participar do Alpsman (França), é o atual vice-campeão do Fodaxman (Brasil) e melhor atleta latino-americano na história do Swissman (Suíça). Está em constante contato com os organizadores de algumas das principais provas de xtreme triathlon ao redor do mundo.

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