Há duas certezas sobre as montanhas. A primeira é que, seja no ciclismo ou na corrida, elas sempre estarão presentes numa prova de xtreme triathlon. A segunda é que os atletas nunca ficam indiferentes a elas, há os que as odeiam e há os que as veneram.

 

Eu faço parte do segundo grupo e, como já comentei no meu bate papo com o Michel Bogli no podcast Endorfina, foram as montanhas que fizeram me apaixonar pelo xtreme triathlon.

 

Todas as provas de xtreme triathlon têm ao menos uma montanha mística para chamar de “sua”. Passo de St. Gotthard no Swissman, Passo dello Stelvio no Icon, Gaustatoppen no Norseman, Rozsutec no Janosik, Serra do Rio do Rastro no Fodaxman; apenas para citar algumas delas.

 

Minha intenção neste texto não é falar de aspectos técnicos de como pedalar ou correr em montanhas, poderemos abordar este assunto em outra oportunidade. Hoje quero falar sobre o lado “emocional” e “romântico” das montanhas.

 

Como não poderia deixar de ser, a primeira coisa que impressiona numa montanha destas é sua imponência. Nos sentimos pequenos frente a tamanha grandiosidade, muitas ultrapassam 2.000m de altitude (o Passo dello Stelvio que é parte do percurso de ciclismo do Icon Xtreme Triathlon tem por exemplo 2.757m de altitude). E os ganhos de elevação são suficientes para você ficar mais de 2 horas pedalando numa única subida.

 

Costumo dizer que passar longas horas numa montanha é como estar num confessionário. É só você, a montanha e seus pensamentos. Lá os sentimentos se afloram, o sofrimento se intensifica e as máscaras caem. A montanha te desnuda de tal forma que você tem que encarar sua essência sem desculpas, sem fugas, sem filtros. Desafiou a montanha? Ela te destrói. Sentiu-se mais forte que a montanha? Ela te estraçalha. Não se preparou para a montanha? Ela te humilha.

 

A maior lição que uma montanha nos ensina é sermos humildes. Só quem a respeita consegue alcançar seu topo!

 

Da próxima vez que for pedalar ou correr numa montanha, aprecie sua beleza, imponência e superioridade. E curta cada instante das longas horas em que estará nela, pois garanto que será uma experiência transformadora!

 

Esta coluna é um oferecimento de HAWI ATHLETIC SUPLLY. A HAWI é uma marca casual e lifestyle criada para você que vive o esporte.

 

Foto : Col Agnel, 2744m de altitude na fronteira entre França e Itália – arquivo pessoal

Fernando Palhares

Colunista

Fernando Palhares (@xtri.man) é triatleta há mais de 14 anos. É um dos organizadores do Fodaxman, a primeira prova de xtreme triathlon da América Latina. Foi o primeiro atleta não-europeu a participar do Alpsman (França), é o atual vice-campeão do Fodaxman (Brasil) e melhor atleta latino-americano na história do Swissman (Suíça). Está em constante contato com os organizadores de algumas das principais provas de xtreme triathlon ao redor do mundo.

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