Tá procurando uma montanha bacana para pedalar ? Sugestões ou lista de preferências são sempre muito subjetivas, o que agrada um ciclista pode não agradar outro. Além disto, os critérios para selecionar uma montanha nem sempre são os mesmos : dificuldade, beleza, proximidade.

 

Na minha lista das 10 montanhas preferidas (não estão relacionadas em ordem de preferência), considerei 2 critérios : montanhas nas quais já pedalei e alguma característica que a diferencie das demais. Espero que gostem, e caso queiram mais alguma informação sobre algumas delas é só me mandar uma mensagem no Instagram @xtri.man.

 

1 – Col Agnel

Local : Alpes Franceses, na divisa da França com a Itália

Ponto de partida : Guillestre – França

Distância : 40km

Ganho de altimetria : 1.920m

Altitude : 2.744m

O que a torna especial : É a 3ª mais alta passagem asfaltada da Europa, o topo está exatamente na divisa entre França e Itália. Fique atendo pois costuma ser uma das últimas montanhas a serem abertas para a temporada, ano passado só abriu em junho ! A primeira parte até Ville-Vieille é praticamente um falso plano, uma estrada maravilhosa margeando um rio com água de degelo e túneis escavados na pedra. A partir de Ville-Vieille a subida começa para valer, sendo os últimos 10km os mais duros. Prepare-se para queda brusca na temperatura pois mesmo no verão você encontrará neve no topo. E com um pouco de sorte, encontrará marmotas pelo caminho.

 

2 – Serra do Rio do Rastro

Local : Lauro Müller, Santa Catarina

Ponto de partida : Posto da Polícia Rodoviária SC 390 – Lauro Müller / Brasil

Distância : 17km

Ganho de altimetria : aprox. 1.100m

Altitude : 1.420m

O que a torna especial : É uma das serras mais lindas do mundo ! Vegetação exuberante e uma vista linda do vale. Os últimos 7km (quando o asfalto dá lugar para o concreto) são duríssimos, e os inúmeros switchbacks deixam a subida ainda mais linda. Vá com relação de marchas adequada e prepare-se para variações bruscas de condições climáticas, dependendo da época do ano o vento é fortíssimo e não é raro ter neblina no local. No verão o fluxo de carros é intenso nos finais de semana, o que requer atenção redobrada já que não há acostamento. Ao chegar no mirante aproveite a vista espetacular da estrada no vale abaixo, e curta os quatis que aparecem para pedir comida.

 

3 – L´Alpe D´Huez

Local : França

Ponto de partida : Le Bourg- d´Oisans - França

Distância : 16,4km

Ganho de altimetria : 1.279m

Altitude : 1.996m

O que a torna especial : Não é a mais alta, não é a mais dura, não é a mais bonita, mas provavelmente é a montanha mais famosa do ciclismo mundial. Durante o verão prepare-se para encontrar centenas de ciclistas de todas as partes do mundo, mesmo no meio da semana. Dizem que em 2017 mais de 62 mil ciclistas pedalaram em l´Alpe D´Huez (não sei se é verdade). Os swithbacks são enumerados de maneira regressiva e identificado com nomes de ciclistas profissionais que alcançaram a glória na montanha. Existe uma marcação de onde começa e termina a “cronometragem oficial” para você poder comparar seu tempo com o recorde do Marco Pantini – 37´35” estabelecido em 1997.

 

4 – Col du Galibier

Local : Alpes Franceses

Ponto de partida : Briançon – França

Distância : 36,4km

Ganho de altimetria : 1.461m

Altitude : 2.642m

O que a torna especial : É a única montanha da lista que eu não pedalei (passei de carro por ela, se arrependimento matasse...rsrs); mas não poderia ficar de fora da lista pois é simplesmente a montanha mais linda que já vi ! A subida até o Col du Lautaret é muito tranquila, ótima para apreciar a vista. A partir daí a subida começa a ficar bem mais dura e ainda mais linda ! Paredões de neve do lado esquerdo da estrada e um vale maravilhoso do lado direito. Pouco antes do túnel para Valloire há um enorme monumento em homenagem à Henri Desgrange, o criador do Tour de France. Ao invés de pegar o túnel, continue subindo até o topo. A vista lá de cima do vale e da imponente montanha La Meije é inesquecível.

 

5 – St Gotthard Pass

Local : Suíça

Ponto de partida : Airolo - Suíça

Distância : 14km

Ganho de altimetria : 950m

Altitude : 2.107m

O que a torna especial : É uma passagem do lado italiano para o lado alemão da Suíça. Existem 2 estradas até o topo, opte pela estrada antiga que é fechada para veículos e possui aproximadamente 5km de paralelepípedos, inesquecível. É muito comum encontrar rebanhos no meio da estrada (isto aconteceu comigo durante o Swissman em 2018 !). E quem pedala por esta estrada nem imagina que logo abaixo da montanha existe um dos maiores túneis ferroviários da Europa com aproximadamente 57km de extensão.

 

6 – Morro da Igreja

Local : Urubici  - Santa Catarina / Brasil

Ponto de partida : Acesso ao Morro da Igreja, saindo da rodovia SC 370

Distância : 16km

Ganho de altimetria : 920m

Altitude : 1.818m

O que a torna especial :  É uma subida com inclinação bastante irregular, alternando trechos de descida e trechos duríssimos. O 3º km é o trecho mais duro que já pedalei na vida, aproximadamente 500m com mais de 20% de inclinação média. Os últimos 10km são dentro do Parque Nacional de São Joaquim e o topo está dentro de uma área de segurança nacional da Aeronáutica (Sindacta). A vista lá de topo é fantástica, incluindo a famosa Pedra Furada. Prepare-se para variações climáticas bruscas. E não se iluda com o nome da subida, não há nenhuma igreja pelo caminho.

 

7 – Furka Pass

Local : Suíça

Ponto de partida : Realp - Suíça

Distância : 12,4km

Ganho de altimetria : 889m

Altitude : 2.429m

O que a torna especial : Tem um trilho de trem que corta a estrada, então você pode ser “premiado” com uma cancela baixada para o trem passar. A subida é bacana e nos finais de semana do verão europeu muitas motos potentes e super carros passarão por você. Mas o que é realmente especial é a descida em direção a Grimselpass. É um vale lindo e enorme, passando por vários reservatórios de água e pelo famoso Hotel Belvedere, localizado num dos muitos switchbacks e fechado há alguns anos.

 

8 – Col de Tamié

Local : Haute Savoie - França

Ponto de partida : Frontenex - França

Distância : 10,2km

Ganho de altimetria : 591m

Altitude : 910m

O que a torna especial : Se você está procurando uma montanha no meio da floresta como se estivesse num filme da Idade Média este é o lugar ! A subida não é dura e o topo não é muito alto, ideal para contemplar ao redor e curtir os túneis verdes formados pelas árvores. No topo há ainda uma fortaleza que pode ser visitada e de lá avista-se a cidade de Albertville, que já foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno.

 

9 – Col de la Colombière

Local : Haute Savoie - França

Ponto de partida : Thônes - França

Distância : 23km

Ganho de altimetria : 1.065m

Altitude : 1.613m

O que a torna especial : É uma montanha cênica : vilarejos alpinos, picos nevados ao redor, vacas pastando, etc. É uma montanha para curtir a paisagem, um resumo das belezas dos Alpes Franceses. A subida não é dura e o asfalto é novinho, já que foi refeito para o Tour de France de 2018. Uma alternativa é começar o percurso pela estação de esqui de La Clusaz, com uma descida suave até Saint-Jean-de-Sixt, ótima para torcer o cabo !

 

10 – Plateau des Glières

Local : Haute Savoie - França

Ponto de partida : Estrada D12 / Route d´Essert

Distância : 8,8km

Ganho de altimetria : 745m

Altitude : 1.446m

O que a torna especial : esta montanha foi usada pela primeira vez no Tour de France em 2018. Possui 5kms duríssimos com inclinação média de 11,5%. Os últimos 2km são em estrada de terra, mas ninguém se importa com isso para chegar num local de enorme importância histórica na 2ª Guerra Mundial. Palco de batalhas envolvendo a resistência francesa e tropas alemãs durante o inverno de 1944. No local há um monumento relembrando os acontecimentos.

Fernando Palhares

Colunista

Fernando Palhares (@xtri.man) é triatleta há mais de 14 anos. É um dos organizadores do Fodaxman, a primeira prova de xtreme triathlon da América Latina. Foi o primeiro atleta não-europeu a participar do Alpsman (França), é o atual vice-campeão do Fodaxman (Brasil) e melhor atleta latino-americano na história do Swissman (Suíça). Está em constante contato com os organizadores de algumas das principais provas de xtreme triathlon ao redor do mundo.

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