Em uma época em que as redes sociais começam a dar uma certa canseira nas pessoas, venho aqui fazer uma defesa entusiasmada delas. Calma, não advogo em causa própria dos blogueiros, longe de mim, mas há algo mágico no que elas estão nos proporcionado e devemos reconhecer que somos uma geração de triatletas privilegiados nesse sentido.

 

A causa das reclamações com as redes sociais todos conhecemos: há muito ego, muita auto-promoção, propagandas em demasia, pessoas utilizando as redes pra desabafar suas frustrações, seus problemas e, o pior de tudo, as discussões fanáticas cada vez mais presentes, seja por política, seja por esporte, seja por convicções nem sempre racionais. No entanto, como disse meu amigo Edson Maisonnette dias atrás no instagram, nós temos ferramentas para deixar que as redes nos forneçam aquilo que buscamos ver, ler e aprender. O botão desseguir nos salva de muita coisa e deve ser usado sem contra indicações!

 

Mas o que há de tão bom então nas redes? Antes de falar do triathlon, esse final de semana aconteceu algo muito legal com outro esporte que faz parte das minhas paixões. Estava assistindo ao vivo no facebook o time feminino do Brasil na Copa do Mundo de Rugby 7, direto dos Estados Unidos, e então me veio a lembrança de como, em 2002, nosso time da faculdade se reunia na casa de alguém para assistir a algum jogo gravado em DVD que alguém trouxera do exterior. Era a nossa chance de consumir o esporte que admirávamos, de aprender jogadas, de ver nossos ídolos, por mais que fosse um jogo desatualizado cujo resultado já sabíamos. De lá pra cá, saltamos de um dvd velho para uma realidade em que conseguimos ver o jogo em tempo real em qualquer aparelho com internet no mundo todo. Que maravilha!

 

Falando de triathlon, este ano tanto as provas da marca Ironman quanto o Challenge investiram ainda mais em transmissões ao vivo pela internet. Para citar alguns, consegui assistir ao vivo o mundial do Challenge na Eslováquia, o Ironman Frankfurt e o Ironman Bolton, e todos comentados por atletas de renome com a possibilidade de participação e interação do público. É preciso reconhecer e desfrutar deste privilégio. Conversando com o Michel Bögli, do Endorfina, ele me comentou como era difícil para os atletas da geração dele conseguir acompanhar o que rolava com o esporte lá fora. Seria ótimo ver o tri na tv ao vivo, até para sua popularização, mas é ainda uma realidade muito difícil no contexto nacional, então bora aproveitar o que a internet nos dá de melhor.

 

Mas não se trata só de poder assistir provas pelo mundo. Hoje, as redes nos proporcionam interação com atletas nacionais e internacionais de ponta como nunca houve. Sem sair de casa, você consegue aprender como é o dia a dia da campeã mundial, a nutrição do melhor triatleta do mundo, os treinos passados pelos melhores treinadores, aprender como os pros lidam com os desafios de uma lesão, e mais uma gama de curiosidades. Isso sem contar a proliferação de blogs, vídeos no Youtube, Podcasts e perfis amadores com conteúdo interessante e com todas as dicas para quem quer começar ou se aprimorar no tri.

 

Espero que nesta coluna possamos nadar, pedalar e correr pelas redes aproveitando tudo de legal que ela tem para nos compartilhar. Sejam bem-vindos!

Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

2 thoughts on “O TRIATHLON E AS REDES SOCIAIS

  1. Debby disse:

    Também vejo essa canseira proporcionada pelas redes sociais. Mas tenho de concordar com a vantagem e facilidade em acessar conteúdos antes restritos. E garimpando entramos em contato com bom conteúdo e informação, como o seu perfil @correndoporai!! Show!

  2. De fato existe muito egocentrismo no esporte em geral, mas isso não é culpa das redes sociais. Elas só maximizam uma característica que as pessoas já trazem dentro de si. Sou um exímio defensor do mantra citado pelo PC (“O botão desseguir nos salva de muita coisa e deve ser usado sem contra indicações!”) e acredito que muitas reclamações sobre a “blogueiragem” excessiva advém do desconhecimento das pessoas sobre como o bom uso dessa técnica vai refinar o conteúdo a elas apresentada (seria legal explorar mais isso em um post futuro).
    Outra carga negativa que a pecha de blogueiro traz é a superficialidade. Pessoalmente, quero ser influenciado por bons conteúdos, mas as chaves aqui são credibilidade e transparência, as quais não brotam com posts e likes (também acredito render bons tópicos).
    Sucesso na coluna PC!

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