Foi mais ou menos com essas palavras que perdi um seguidor esses dias. Outro falou que estava muito triste porque resolvi bancar o “justiceiro virtual” em vez de fazer só piadas e se mandou do meu instagram também. Eu agradeci aos dois.

 

O último caso polêmico que postei foi sobre a Serena Willians e o modo como um cartunista australiano a retratou.

 

Quem me segue há algum tempo sabe que de vez em quando curto postar assuntos esportivos atuais que dão bastante margem para debate; afinal, nem só de memes vive um homem! Hoje, quero comentar o que acontece quando se posta algo como igualdade racial, social e de gênero.

 

São três tipos principais de reações: 1) os que parabenizam pela atitude, pois são temas nem sempre explorados nas redes sociais de esporte; 2) os que dizem não concordar com meu ponto de vista e emitem sua opinião educadamente; 3) e, por fim, os que dizem que é tudo um “baita mimimi” e que “o politicamente correto está deixando tudo chato”. Geralmente esses últimos escrevem um textão pra mim no direct, embora tenham preguiça de escrever palavras simples como “oi bom dia”, “olá como vai” ou mesmo “discordo da sua opinião e queria dizer que”..

 

Geralmente as congratulações vêm do grupo mais afetado pelo problema que exponho ou por aqueles que também defendem a causa e acham bacana que o assunto seja abordado. O mais legal de tudo é receber um comentário do tipo “nunca tinha me passado pela cabeça isso e verei agora de uma outra forma”. Isso faz ganhar o dia!

 

Os que discordam e emitem a opinião eu também acho muito legal, porque dá uma oportunidade boa para trocar ideias. É rapidamente perceptível saber quem está aberto ao diálogo ou quem apenas quer expor o que pensa, sem querer ler muito o que escrevo de volta.  Tento responder esse grupo com o máximo da atenção, até porque me dispus a abrir o debate ao postar um tema mais polêmico e é uma ótima forma de eu aprender o outro lado da questão também.

 

E há uma minoria, felizmente, que responde raivosamente às postagens, dizendo apenas argumentos prontos como “é puro mimimi” ou “isso é a chatice do politicamente correto”, sem eu saber muito bem como isso refuta o argumento que postei. Eu também respondo a todos desse grupo, mas geralmente o diálogo não passa de duas mensagens, porque eles não estão minimamente abertos a ler o que você argumenta.

 

Vale ressaltar que se eu fosse parar para analisar os números do instagram, menos de 10% das minhas postagens têm algum cunho social ou algum caso polêmico como esses, mas de alguma forma a pessoa se fixa a elas e acha um preço muito caro a se pagar para poder ver memes e informações de triathlon. Apesar de gostar muito de abordar essas causas, não é o foco primordial do meu instagram e não acho produtivo martelar esse tipo de informação o tempo todo, mas nunca deixarei de postar algo que acredito apenas porque um grupo vai discordar.

 

Mas a mensagem que recebi e que dá título a esta coluna me fez pensar: o esporte tem que estar livre do debate social?

 

Bom, pelo início do meu texto, está claro meu posicionamento: apesar de o esporte ser um hobby e um entretenimento, acredito que também é vetor de transformação social e sei que, infelizmente, ele ainda reflete muitas das desigualdades da nossa sociedade. Tenho consciência também que o mundo atual está nos deixando muito cansados do debate político, cada vez mais nervoso e polarizado, e que o esporte tem sido para alguns um escape para fugir dessas discussões loucas.

 

Mas então por que trazer à tona essas questões é importante?

 

Porque as pessoas prestam atenção nos esportes. Ele é vitrine para muitas questões importantes na sociedade e para debates que, se ocorressem em outras áreas, não teriam a mesma visibilidade e repercussão.

 

Nós somos acostumados com o mundo em que vivemos e qualquer questionamento que nos tira do lugar comum tende a nos incomodar. Hoje, muitos temas como a igualdade de gênero, a equidade social e a desigualdade racial têm ganhando maior repercussão e isso, de certa forma, balança ideias que tínhamos como certas. Muitos reagem se propondo a ouvir; outros se fecham ao mínimo debate. Eu não acho que todos sejam obrigados a seguir e curtir esse tipo de conteúdo, eu mesmo evito bastante em outras áreas que não são tanto do meu interesse, apesar de contar com minha solidariedade.

 

Sempre que posto uma polêmica e recebo mensagens raivosas do instagram me questiono se valeu a pena realmente ter me envolvido com isso. Muitas das mensagens são tristes de ler e, de verdade, não fazem bem para o meu dia.

 

O último cara que disse que ia parar de me seguir e que eu devia só focar no humor era alguém com quem trocava ideia fazia um tempo. Depois desse último diálogo, fui olhar, por curiosidade, o instagram dele e havia uma postagem sobre como os negros supostamente eram responsáveis pela própria escravidão. Sério, não podemos deixar que pessoas assim pautem o que vamos dizer.

 

Ao ver aquilo, senti que há, sim, um propósito nas minhas postagens. Foram 4 anos estudando em faculdade pública de História bancados pelo contribuinte brasileiro e alguma coisa eu tenho que dar em troca, nem que seja fazendo com que uma pessoa sequer comece a pensar diferente por ler uma simples postagem no insta. Se formos nos calar por preguiça de receber directs dos raivosos, vamos deixar de propagar ideias que acreditamos que podem tornar nosso país melhor.

 

Isso não faz de mim um esquerdista ou um direitista, que fique claro. Aliás, esse é um dos grandes problemas atuais que vejo. Todo e qualquer debate é visto apenas sob a perspectiva de duas caixas. Daí realmente fica difícil querer compreender quem pensa diferente.

 

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Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

2 thoughts on ““NÃO META O POLITICAMENTE CORRETO NO MEU ESPORTE”

  1. Maria Amélia Gomes disse:

    Adorei a matéria PC! Peço que continue a nos informar.
    Não leve contigo essas energias. Pessoas que usam antolhos de cavalo e vivem enclausuradas no seu mundinho, não aceitam outras opiniões e um debate saudável. Faço parte da trupe que curte e lê o conteúdo postado por vc. Espero poder te encontrar em algum Iron da vida pra dar um abraço e tirar uma foto para o Plantão da Blogueiragem…rs
    Um forte abraço querido!

  2. Lorena Leite disse:

    Toda discussão é válida, no esporte e na vida! Precisamos conversar sobre igualdade… No triathlon então, nem se fala! A #ColorsinKona não apareceu à toa né? Esse cara aí que deixou de te seguir, não conhece o @tvinhal né?? Parabéns, mais uma vez!

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