COMO FUNCIONA A BLOGUEIRAGEM

Semana passada o Instagram foi tomado pelo caso de uma propaganda falsa usando o nome da Adidas para recrutar “influencers” para a marca. O golpe nada mais foi que uma manobra para encher de seguidores esse perfil falso, para depois vende-lo por ai.

 

O que chamou mais a atenção nas redes foi a quantidade de pessoas atraídas pela possibilidade de virar influencer de uma marca esportiva. E realmente a proposta era muito atrativa: você ganharia tênis, roupas e tudo mais e teria apenas que postar fotos suas com elas, coisa que você já faz mesmo.

 

O “adidasgate” me deu ideia de querer escrever um pouco o que aprendi sobre o mundo dos blogueiros de corrida.

 

Afinal, será que isso dá dinheiro?
A resposta simples e rápida se você está com preguiça de ler o textão abaixo é: pela quantidade de horas que você tem que se dedicar ao instagram, dividido pelo valor dos “mimos” e dos “recebidos” que ganhará, há atividades que certamente remuneram muito melhor! Isso estou falando apenas do ponto de vista comercial, uma vez que há outros fatores que nos levam a investir na rede social além do dinheiro. Fazer um curso de línguas, uma pós-graduação, um MBA (menos pro Nizan Guanaes), deverá lhe permitir ter um padrão de vida melhor do que a blogueiragem proporcionará, se formos pensar no quesito horas de investimento/retorno financeiro.

 

Claro que temos casos de sucesso de blogueiras e influencers com férias pagas por agências de marketing para Grécia, Noronha e outros destinos “maras”. Temos que levar em conta, no entanto, que assim como vemos o salário do Neymar e esquecemos todo o contingente de jogadores que ganha menos de um salário mínimo no Brasil, são poucas as pessoas, proporcionalmente, que tiveram um boom financeiro com as redes sociais. Há possibilidade, sim, de se enriquecer, mas não é todo mundo que consegue e isso eu também não sei ensinar porque senão estava lá em Mikonos agora.

 

Antes de comentar sobre o mercado, faço um pequeno adendo aqui: cada um tem suas motivações de estar nas redes, criar um perfil, manter o perfil, promovê-lo, divulga-lo e etc, então não me sinto à vontade para julgar em qualquer um dos casos. Vou comentar um pouco minhas opções, mas isso não significa que acredito serem mais nobres ou legais que de ninguém.

 

Virando blogueiro
Primeiro você terá que escolher um seguimento e aqui não tenho boas notícias. Apesar de envolver uma galera legal e marcas maneiras, o mercado de blogueiros de corrida ou triathlon ainda é bem menor do que de outras atividades como moda, turismo e culinária. Dentro dos esportes, se formos compararmos a quantidade de seguidores dos principais influencers, creio estarmos atrás dos bodybuilders, skatistas, e dos crossfitters, para dizer alguns. Por isso reafirmo, se a ideia é ganhar dinheiro, talvez não seja o caminho mais rápido usar a corrida.

 

Criando conteúdo e promovendo seu perfil
Definido seu mercado de atuação, agora é hora de criar conteúdo e promover o perfil. Não existe uma formula mágica nesse caso também e a boa notícia é que vários caminhos são possíveis. Você pode investir num perfil de humor; num perfil que reposte fotos de outras pessoas correndo; num perfil pessoal seu ou numa mescla de tudo isso. No meu, eu já transitei por tudo isso aí, fui indo conforme minha vontade e hoje não sei definir do que é. A verdade é que perfis de humor e de “repost” estão surgindo aos montes e a concorrência é forte, então esteja preparado.

 

Ao investir em um perfil pessoal seu, há alguns casos de sucesso que nos mostram caminhos possíveis para virar influencer: pessoas com uma bela história de superação; pessoas que nos inspiram por suas conquistas; pessoas simpáticas que alegram o instagram e... pessoas bonitas. Isso é uma parte meio cruel das redes, mas a beleza, de rosto e, principalmente de corpo, conquista mais seguidores do que muitos outros fatores. Mas tem que ser bonito pra ser blogueiro? Claro que não, mas os números não mentem. Difícil definir o que cada um busca ao abrir o instagram, mas costumo compará-lo a Revista Caras: quando a pessoa está relaxando em casa navegando nas redes ela quer ver coisa bonita ou se divertir. Para todo o resto existe o face, twitter e os jornais. (Outro dia elaboro melhor um texto sobre essa parte da beleza, pois esse mundo influencer tem se focado em padrões de beleza pouco inclusivos, o que acho ruim para a sociedade plural que nós temos).

 

Definido o seu perfil, é hora de promove-lo, tornando-o conhecido e ganhando seguidores. Para isso, o caminho mais comum é passar horas na rede e isso dependerá da pressa que você tem em virar “ influencer”. Quanto mais tempo você passar curtindo e comentando fotos alheias, principalmente no seu seguimento de atuação, mais chance terá de ganhar seguidores. Tirar fotos bonitas e produzidas e com roupas maneiras também leva seu tempo e seu custo de oportunidade, então adicione isso às suas contas caso o objetivo seja financeiro. Outra possibilidade é pagando post patrocinado para o instagram promover seu perfil entre seu público alvo. Sinceramente, não sei a matemática financeira disso, mas tenho minhas dúvidas se vale a pena, falando estritamente de pessoas físicas.

 

Uma maneira rápida e honesta de ganhar seguidores é ter uma foto sua republicada por um perfil grande ou ser recomendado por ele. Envolver-se em tretas também ajuda, mas posso te dizer que se não for por uma causa justa, não compensa a dor de cabeça.

 

Agora, como tudo na vida, existe o caminho não honesto para bombar seu perfil. Hoje em dia você consegue comprar seguidores e, inclusive, comprar likes para cada foto. O que tem de árabe e chinês interessado no mercado brasileiro de influencer de corrida você não imagina. Além disso, você pode entrar em grupos de curtidas e comentários de whatsapp, em que todos se comprometem a curtir e comentar fotos um do outro no insta para fingir que há engajamento (sim, isso existe de verdade). Mas as marcas não percebem essa picaretagem? Infelizmente a maioria ainda não. Então fica a dica aqui: é possível ser blogueiro de corrida sem correr nenhuma prova, sem ter seguidores reais, sem influenciar ninguém e ainda ganhar mimos. O problema é que você vira chacota entre aqueles que correm de verdade.

 

Pronto, virei blogueiro, e agora? Quando chegam os mimos?

Aqui temos duas opções, você ser passivo ou ativo na busca por produtos.

Se você optar por ser ativo, você deve criar uma propaganda sua, chamado também de media kit. Nesse documento, que você enviará para agências e marcas, você demonstrará seu poder de venda nas redes, o número de seguidores que têm, o poder de engajamento de seu perfil, o público alvo que atinge e, o mais importante, o que pode oferecer de retorno para a marca, tudo com os preços que cobrará pelas postagens, pelas menções nos stories ou por usar a marca nas fotos. Se marketing não for seu forte, você pode contratar uma empresa para gerenciar esse contato com as marcas. Mais uma vez caímos na fronteira de saber a partir de que ponto o investimento terá retorno financeiro, caso o objetivo seja viver disso.

 

Se você optar por ser passivo, os produtos chegam porque as marcas te procuram oferecendo produtos para você testar e usar. No mundo capitalista, há de tudo: marcas que te oferecem um produto barato mas que exigem que você poste em tudo quanto é lugar; marcas que te dão um baita presente legal e não pedem nada em troca, mas sabem que você usará em algum momento e isso repercutirá no seu instagram; marcas que exigem exclusividade para só usar os produtos deles; marcas que pagam dinheiro pra você postar foto com o texto prontinho que eles mandam e mais uma infinidade de possibilidades. O melhor dos mundos é quando você ganha algo que já gosta, é convidado para uma prova maneira ou tem uma experiência incrível proporcionada por uma marca sem que haja nenhuma obrigação mais forte, mas como todos sabemos, isso é quase impossível, pois não há almoço grátis.

 

Eu tive uma experiência no começo da blogueiragem com uma marca de camisetas de corrida que queria promover suas roupas no meu instagram. Achei legal, emplacamos uma pegada social na promoção, gostei do conceito da marca e tudo. Mas foram tantas trocas de mensagens, ligações, necessidade de encontro na véspera de uma prova para a qual eu estava me preparando e depois exigências sobre a postagem que iria fazer que, quando acabou, parei pra pensar: caramba, fiz tudo isso pra uma camiseta que eu poderia comprar? Meu tempo investido nisso valeu mesmo o valor da camiseta? Vivendo a aprendendo.

 

Hoje, gosto muito de ganhar presentes como toda pessoa (lógico), mas tenho primado mais pela liberdade de postar o que quiser na hora que quiser, sem cobrança de nenhuma marca, já que tenho o instagram para mim como um hobby e, sendo bem sincero, não sei se nasci com o dom do marketing.

 

As opções de relação com marcas são grandes e, como disse no começo do texto, não julgo quem opte por qualquer uma delas (menos os blogueiros e blogueiras fake, esses eu julgo sim #paz).

 

Mas se não vale a pena por que você fica ai de blogueiragem?
Como falei no texto, são diversos os objetivos de se blogueirar. Meu texto focou principalmente no financeiro, para tentar desmistificar um pouco o fato de que receber mimos vai resolver a vida financeira de quem investir na plataforma em busca apenas de dinheiro. Claro que ganhar um tênis é muito melhor do que ter que comprar, mas nunca esqueça de dividir o valor dele pelas suas horas investidas blogueirando.

 

Eu não tenho vergonha de assumir que adoro o instagram. Para mim, é um mundo em que desconecto do trabalho do dia a dia e consigo ver informações de atletas que admiro, ver como andam os amigos nas provas, saber novidades do circuito e dar risada dos memes. Já que é um hobby, entendo que eu já passaria meu tempo lá mesmo, então investir alguns minutos por dia na plataforma não é tanto um problema para mim.

 

Mais do que ganhar presentes, o instagram me deu experiências legais que, mesmo que eu quisesse pagar, não poderia vivenciar, como poder trocar idéia com um ídolo antes da prova, poder debater assuntos bacanas com gente que vive do esporte, correr por uma equipe com gente que admiro e, claro, escrever minhas ideias por aqui. Nesse sentido, vale muito a pena blogueirar sim!

 

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Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

2 respostas para “COMO FUNCIONA A BLOGUEIRAGEM”

  1. Boa noite/tarde/dia,
    assim como a grande maioria que se engaja nas redes sociais, também tenho (é não vou negar) aquele desejo de “blogueirar”, ganhar mimos e tudo mais.

    Outra estratégia muito usada, (que em algumas vezes é real e outras só ilusão), são os sorteios… é só seguir o @fulano e o @ciclano, marcar 18 amigos e curtir a foto oficial…. E no dia e hora marcada fazer uma live, sorteando alguém. – Ai vc lembra do sorteio que se “inscreveu” à uns 2 meses, e vai verificar o perfil do blogueiro, e as publicações do sorteio sumiram (ou não)

    Já teve um tempo em que eu corria atrás desse status, e até me envergonho de ter procurado um dia essa ferramentas onde os turcos, chineses, árabes curtem e comentam nossas fotos, além de nos seguir é claro.
    Também fiquei por uns 2 dias em um grupo de de whatsapp onde a ditadura dos likes e reposts era forte
    Alem é claro das #f4f e coisas do tipo

    mas agora me libertei (eu acho), mas é claro que o desejo que uma marca decida do nada me apadrinhar ainda existe…

  2. Impressionante o número de pessoas enganadas pela falsa expectativa de ganhar mimos da Adidas. Não espero “viver de blog”, mas enquanto ele agregar coisas boas na minha vida, sejam experiências, contatos e principalmente risadas, vale a pena! Muito bom o texto!

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