Esses dias falei no instagram que o filme A Vida Secreta de Walter Mitty (2013) havia mudado a minha vida. Não é fácil confessar que um dos filmes que mais te marcaram foi um no estilão “sessão da tarde”, estrelado e dirigido pelo Ben Stiller. Talvez um Godard, Bergman ou Kurosawa teriam sido mais chique, mas não, foi mesmo um filme meio comédia romântica hollywoodiana que me deu um clique que eu poderia viver mais experiências interessantes na vida.

 

Walter Mitty é um cara bem comum que trabalha com negativos de fotos para a revista Life. Ele criou um perfil numa rede social de namoro para tentar conquistar uma colega de trabalho. Ao ter problema no site de relacionamento, ele liga pra manutenção e começa a dialogar com um funcionário disposto a lhe ajudar. O funcionário pergunta a ele por que deixou em branco as partes sobre lugares para os quais já viajou, ou sobre atividades interessantes que fez. Isso ajudaria muito a lhe tornar alguém mais atrativo. Walter confessa então que nunca fez nada que valesse a pena ser mencionado, nem conhecido lugares que impressionassem. No desenrolar da trama, ao tentar desvendar a origem de um negativo que sumiu no trabalho, Walter acaba se envolvendo em um monte de aventuras inesperadas na Groenlândia, Islândia e até no Afeganistão. Walter vira então o aventureiro que sempre sonhou mas que nunca havia arriscado ser. Passa a ter um perfil muito mais atraente na rede social e vira objeto de desejo de várias mulheres. Ok, nem tudo na vida é conquistar mulheres, mas qual o caminho para virar uma pessoa interessante?

 

Na mesma época que vi o filme, tinha lido um texto que pedia para enumerar 5 coisas impressionantes sobre você mesmo. Não podia ser nada que você fosse (como “eu sou um cara legal”, “sou companheiro”), mas sim coisas que você já havia feito. Lembrei que esse texto me deu um soco no estômago porque não consegui enumerar as 5. Ou seja, eu era uma espécie de Walter Mitty.

 

Hoje temos muitas armadilhas de acomodação. Graças à tecnologia da internet, video-games e TV, é possível se sentir fazendeiro sem nunca ter plantado um pé de feijão, ver a vista do cume do Everest mesmo que você não aguente subir um lance de escada ou ter a sensação de ser campeão de algo só porque torce para um time, sem ao menos ter feito uma embaixadinha durante o ano.

 

A grande lição que tirei do filme foi: saia um pouco de casa e comece a fazer coisas interessantes. Tentei combater a ilusão de que estava conquistando alguma aventura sentado parado de frente pra tv vendo esporte. Se hoje posso dizer que vivi muitas experiências legais e conquistas pessoais nesses 5 anos de corrida e triathlon, foi porque aceitei mais convites, me inscrevi em mais provas, resolvi me matricular na natação, me arrisquei com a bicicleta e me propus metas que, no curto prazo, mais pareciam os sonhos do Water Mitty. Ainda não subi o Everest nem fui pro Afeganistão, mas jé deu pra completar as 5 coisas impressionantes que tenho pra contar pros meus netos. Desde então, adotei o lema: faça mais do que assista gente fazendo.

 

Termino o texto com duas frases de que gosto muito. A primeira é a do próprio filme; a segunda, do navegador brasileiro Amyr Klink:

 

1) Ver o mundo e os perigos que virão, ver por trás dos muros, chegar mais perto, encontrar o outro e sentir. Esse é o propósito da vida.

 

2) Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

 

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Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

4 thoughts on “COMO A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY TORNOU A MINHA MAIS DIVERTIDA

  1. Christopher disse:

    Parabéns pelo ótimo texto e reflexão, PC!
    Talvez esse filme não seja uma obra prima como vários de Godard, Kurosawa, etc, mas até nos “pastelões” ou comédia romântica dá pra aprender algo de bom.
    E vou assistir esse filme!

    Continue escrevendo pois sua coluna é maravilhosa!

  2. William disse:

    Ótimo texto. Esta de parabéns, concordo e vamos em busca do nosso Everest

  3. Fernando Palhares disse:

    PC achei que vc iria compartilhar com os leitores as 5 coisas mais incríveis que vc já fez na vida. Aposto que tem coisa interessante ! Grande abraço

  4. Thiago disse:

    Ótimo texto, me fez refletir que ainda não consigo preencher as 5 coisas, obrigado.

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