Dezembro é sempre um mês complicado para ao cérebro lembrar eventos importantes que passaram ao longo do ano. Tem hora que você já não tem certeza se o fato ocorreu em 2018, 2017 ou mesmo 1945, mas vou tentar fazer uma pequena lista de eventos que me marcaram esse ano. Como sempre tive o sonho de participar do troféu imprensa com o Silvio Santos, vou fazer em modo premiação, seguindo critérios baseados na mais pura ciência do...meu gosto pessoal sobre nosso universo da corrida/triathlon:

 

1.PRÊMIO “RAINHA DA PORRA TODA”

 Daniela Ryf

Foi incrível ver o quanto ela ainda está a frente das outras mulheres na modalidade. Comecei o ano achando que ela podia sofrer alguma ameaça das competidoras, mas o que ela fez no mundial de 70.3 e de full Ironman nos deixou com a certeza que ela já é uma das principais atletas da história do triathlon e o melhor em atividade. Deu a impressão que a ascensão da Lucy Charles e a velocidade das novas meninas vindo da ITU só fez a Ryf treinar ainda mais, deixando-a num patamar quase inalcançável.

 

2.PRÊMIO “DESCULPA EU?”

Patrick Lange

Depois que o Lange ganhou Kona em 2017 comecei a acompanhar melhor a carreira dele. E o que vi no início de 2018 foi uma série de provas complicadas pro lado dele, sofrendo derrotas em triathlons locais da Alemanha e chegando em Kona sem ter tido um título de peso no ano, além das derrotas que sofreu pro Frodeno no mano a mano. Quando chegou outubro, confesso que não o tinha como favorito. Achei que 2017 tivesse sido um CD de uma música só. Mas eu estava completamente errado e a performance dele em Kona 2018 foi ainda melhor. Lange ganhou onde tinha que ganhar e do jeito que tinha que ganhar. Sensacional! Sei que esta semana ele já ganhou o prêmio de melhor atleta alemão do ano, mas fica aqui também o humilde premio de desculpa.

 

3.PROVA DO ANO

Maratona de Boston

As vitórias de Desiree Linden e Yuki kawauchi foram incríveis e deram uma chacoalhada no circuito. A prova em si já foi bem interessante de ver, com chuva e frio dando uma boa bagunçada na elite. Desiree ganhou uma das principais provas do mundo depois de muitos e muitos anos batendo na trave em maratonas importantes dos EUA. Seu lema “keep showing up” me marcou demais esse ano. Continue trabalhando duro, continue tentando, continue competindo. Uma hora vai. Já no masculino, ver “o melhor amador do mundo” batendo a elite nos deu aquela sensação de que, de alguma maneira, o corredor-operário japonês nos representou. Agradeço também ao Yuki pois o texto que escrevi sobre ele foi o mais curtido do meu insta esse ano rs.

 

4.PERFORMANCE DO ANO

Eliud Kipchoge

A queda de um recorde mundial já é espetacular, mas do jeito que Eliud Kipchoge estraçalhou o tempo da maratona em Berlim foi ainda mais sensacional. Kipchoge pra mim é uma mistura de monge budista com mito esportista grego e foi isso que vi correndo em Berlim, em boa parte do percurso sozinho. Para coroar a performance do herói, teve a história do fiel escudeiro alemão entregando água e vibrando a cada hidratação certa. Kipchoge nos deixou maravilhado e, ao mesmo tempo, sonhando sobre qual o limite da capacidade atlética humana.

 

5.PRÊMIO “Éééééeéé do Brasil”

Pamella Oliveira

Eu pensei em por a Pami no prêmio “Desculpa eu”, porque não esperava uma performance tão impressionante no Mundial de 70.3. Mas me lembro de uma entrevista dela em que ela mesmo disse que se surpreendeu com o resultado, então estamos todos desculpados e...muito felizes com o que vimos em 2018! Como é bom poder torcer em tão alto nível e ver nossa bandeira num pódio de mundial. O quarto lugar no mundial de 70.3 fez todo mundo se emocionar demais e nos deu esperança de que 2019 será muito massa de torcer e acompanhar.

 

6.PRÊMIO “DEU UM POUQUINHO DE VERGONHA NÉ”

Quem quer ser influencer?

Uma conta fake de uma renomada marca esportista que prometia roupas e fama em troca de uma simples postagens fez muita gente ser iludida em 2018.

Dentro desse prêmio, não posso deixar de citar também quem cortou caminho, pegou bicicleta na maratona ou pagou pra ser puxado por ciclistas em provas de triathlon.

Todas essas ações fazem parte de um conjunto que podemos chamar de “você não está usando o esporte do jeito certo”. Esporte é para você se divertir, se distrair, relaxar e, principalmente, ser feliz. Se você está se pressionando demais, tente entender o que está por trás desse seu desejo de se provar pros outros o tempo todo.

 

7.PRÊMIO “ESTAMOS EM 2018 E NÃO EM 1908”    

Premiações desiguais entre masculino e feminino

Termino 2018 com uma boa sensação de que já não estamos aceitando com naturalidade que homens e mulheres sejam premiados diferentemente na mesma prova. Ainda há um longo caminho pela frente, mas sou positivo e, pelo que vi nas redes em 2018, a tendência é de que o barulho continue sempre que virmos uma injustiça pela frente.

 

8.PRÊMIO “VIRADA DE PÁGINA”

Daniel Chaves e Matt Russel

Daniel Chaves saiu de uma depressão e quase suicídio para ser o melhor maratonista brasileiro em 2018, com 2h13m16s. Foi uma honra conhece-lo esse ano e poder levar umas ultrapassagens fulminantes na pista da UNB. Aqui o texto sobre sua história:

https://www.ativo.com/corrida-de-rua/papo-de-corrida/daniel-chaves-perfil/

 

Matt Russel quase morreu atropelado durante a prova de Kona em 2017 e passou meses em recuperação. Ficou fora da lista pro mundial desse ano por uma vaga, até que a organização o convidou. Nada mais justo! E o que deu? 6º lugar geral, numa das chegadas mais emocionantes de 2018.

https://www.triatlonweb.es/ironman-hawaii/articulo/matt-russell-6o-en-kona-un-ano-despues-de-ser-atropellado-en-plena-competicion

 

9.PRÊMIO “OI SUMIDA” 2018

O título tem a ver com o termo “sumida” no sentido literal, embora pra Holly Lawrence sirva dos dois jeitos #paz. Alguns atletas não tiveram muita presença em 2018, principalmente por lesões, e nos deixaram com a sensação de que o circuito poderia ter ganho ainda mais com eles na disputa. Além da Holly, Flora Duffy ficou boa parte do tempo lesionada. No masculino, imaginei que os irmãos Brownlee fossem ter um 2018 de maior destaque.

 

10.PRÊMIO “ACHEI QUE IA MAS NÃO FOI”.

Lionel Sanders

Todos terminamos 2017 pensando: em 2018 o Sanders vai vir mordido! E era isso que dava a impressão nas redes, com o atleta compartilhando treinos que beiravam o masoquismo. Torci muito por ele, mas em algum momento ele perdeu a mão, emagreceu demais e não conseguiu encaixar o que queria em 2018. Espero que 2019 seja um ano muito feliz para ele, pois agrega demais ao nosso esporte.

 

Javier Gomes Noya

10 entre cada 10 espanhóis acreditavam que Noya, quando ingressasse no circuito Ironman, seria pra ganhar Kona de primeira. Não foi o que aconteceu e, pra ser sincero, as performances dele em 2018 mostram que ano que vem não será fácil também. O circuito está muito disputado e Noya, apesar de ser um dos maiores de todos os tempos no tri olímpico, não teve a estreia que todos esperavam no full Iron.

 

Gwen Jorgensen

O objetivo que a Gwen escolheu pra si não era o mais fácil: ser campeã olímpica na maratona. 2018 me deixou com a sensação de que, não só a medalha olímpica será difícil, mas a própria classificação pra Tóquio 2020 não está perto de ser segura. Apenas 3 norte-americanas se classificam e a Gwen não deu sorte com a época, com os EUA tendo uma das melhores safras de maratonistas da história e a Gwen não estando ainda no mesmo nível das competidoras. Em 2019 ocorrem as eliminatórias, vamos ver no que dá! Será ótimo se der certo.

 

11.MELHOR FILME

The man with the halo

O filme que acompanhou a recuperação do Tim Don para voltar ao triathlon é simplesmente espetacular. Para quem não viu, segue o link:

https://www.youtube.com/watch?v=UhjIchwAkAU

 

12.MELHOR LIVRO

Let your mind run: a memoir of thinking my way to victory

Deena Kastor

O livro da recordista norte-americana de maratona foi o que mais gostei de esporte esse ano. Li durante minha preparação pra maratona de Amsterdam e me ajudou muito.

 

13.O QUE NÃO QUERO EM 2019

Infelizmente perdemos muitos amigos atletas em 2018, seja por acidentes, seja por questões de saúde. Fica minha homenagem àqueles que nos deixaram este ano e a torcida para que, em 2019, recebamos menos noticias ruins.

 

14.PARA TERMOS CONSCIENCIA 2019

Esse ano ficou marcado pela polêmica do lixo deixado por algumas provas e por alguns atletas. Ao mesmo tempo, você reparou o tanto de prova cancelada por questões naturais? Claro que causa e consequência não são tão simples, mas vamos entrar em 2019 pensando o que estamos fazendo com nosso planeta. Competir é legal, mas não estamos acima do bem e do mal e o quanto pudermos poupar nosso planeta de lixo será melhor para as futuras gerações.

 

15. PROVAS QUE FUI

Melhor natação: IM Floripa.

Não há nada igual aquela largada em Jurerê.  Impossível não se emocionar ali, depois de tanto tempo de treino e expectativa.

 

Melhor pedal: Capixada de Ferro

A Rodosol, chamada carinhosamente de Rodovento, me deu a melhor paisagem de prova em 2018, ainda que seja a custo de muito sofrimento na bike rs.

 

Melhor corrida: Challenge Brasília

Foi duro o percurso, mas a vista do parque do asa delta é lindíssima e sacramentou meu gosto por Brasília esse ano.

*Parece que consegui agradar cada uma das organizadoras, mas juro que não foi de propósito.

 

Melhor prova geral: Maratona de Amsterdam

Não preciso nem falar por que né?!

 

Feliz 2019 para todos!

 

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Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

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