Continuando o tema rede sociais e triathlon que abordei na coluna anterior, quero falar um pouco mais sobre a interação dos atletas de elite e sobre uma pequena revolução que um cara de mídia dos Estados Unidos está fazendo nesse sentido.

 

O nome dele é Talbot Cox (@talbotcox) e, provavelmente, você já viu fotos e vídeos feitos por ele em algum Instagram, Youtube ou Facebook de atleta de elite por aí.

 

Como ele conta no seu site, Cox decidiu largar a carreira como desenvolvedor de software para trabalhar como criador de conteúdo online. Eu o conheci justamente ao me deparar com uns vídeos animais que ele fez sobre triathlon no Youtube. Triatleta amador, Cox resolveu juntar a paixão e talento pela fotografia com a paixão pelo esporte.

 

Em sua análise do mercado, Cox percebeu que os atletas de elite, em busca de patrocínio, barravam muitas vezes na falta de visibilidade, principalmente no triathlon, esporte que não ocupa as grandes mídias. Meio que na cara de pau, abordou alguns atletas profissionais perguntando se eles não queriam ser fotografados treinando e, em troca, receberiam um material de alto nível de graça para utilizarem em suas redes sociais ao longo da semana, não só em competições. Ele explica que a reação de alguns, a princípio, foi negativa- não queriam ser incomodados treinando- mas com um pouco de insistência e com alguns resultados desse trabalho aparecendo, hoje ele já é, inclusive, chamado por alguns atletas e marcas para produzir conteúdo.

 

MAS PERÁI, SE ELE NÃO COBRA, COMO ELE VIVE?

A contabilidade foi a seguinte: em troca de fotos e vídeos de graça e em altíssima qualidade para utilizarem nas suas mídias sociais, os atletas de elite se comprometiam a citar o instagram @talbotcox nas postagens em que utilizavam as fotos e também o autorizavam a colocar um vídeo no seu canal de Youtube com o conteúdo filmado no treino. Talbot, dessa maneira, tornava seu nome conhecido na internet ao ser toda hora citado pela elite do esporte e gerava dinheiro com os pagamentos do Youtube ao seu canal. Claro que, no princípio, ele trabalhava no prejuízo, mas hoje parece colher alguns frutos de seu olhar visionário.

 

E nós, como entramos nessa equação? Como consumidores finais deste esquema, temos acesso a imagens incríveis dos treinos e do dia a dia dos profissionais como nunca havíamos tido antes. Além disso, Talbot se orgulha sempre de publicar primeiro (antes mesmo dos organizadores) os resultados e as fotos das principais provas do circuito Ironman e Challenge, algo que para nós também interessa muito saber. Com uma mídia social mais bem desenvolvida, mais movimentadas e com mais qualidade, os atletas ganham mais “likes”, mais interação, mais visibilidade e, com isso, se posicionam melhor como influenciadores e formadores de opinião na hora de buscar patrocínio. Essa é a realidade hoje, não tem muito para onde escapar, por enquanto.

 

Num podcast recente, a Gwen Jorgensen, cujo canal do Youtube é gerido pelo Talbot, comentou que não foi receptiva à proposta no início, pois se preocupava muito em estar 100% concentrada na hora do treinamento. No entanto, hoje o trabalho dele com as mídias sociais dela permitiu que a diminuição da visibilidade que ela teve ao sair do circuito ITU (que gerava promoção espontânea da sua imagem) fosse compensada pela interação maior com os fãs via Youtube, agradando os patrocinadores.

 

Além da qualidade, o trabalho dele tem decolado por atingir um público sedento por informações de triathlon, esporte ausente na grande mídia; por atingir usuários de quase o mundo todo por utilizar o inglês como língua; por utilizar plataformas, como o Youtube, que podem ser utilizadas por triatletas fazendo esteira ou rolo em casa e, por fim, por humanizar nossos ídolos, mostrando a vida real de um atleta de elite. Você assiste os vídeos dele e já se sente íntimo até da família da pessoa.

 

 

 

 

https://hwcdn.libsyn.com/p/6/1/2/612e99eb2c4ef68f/FB_258_-_Talbot_Cox.mp3?c_id=20674740&cs_id=20674740&expiration=1533090227&hwt=16b4b862101785b9ecc90edf57fb1d5b

Neste podcast (inglês), Talbot é entrevistado e explica o que falei no texto, sobre o começo do seu trabalho no triathlon.

 

Neste podcast (inglês), a Gwen fala um pouco sobre o trabalho com o Talbot e as mídias sociais (é bem pouco, mas é sempre legal ouvir a Gwen).

 

Este podcast (português) traz o debate para a realidade brasileira, vale a pena ouvir o podcast do Endorfinabr com o Rodrigo Roehniss, agente dos atletas Igor Amorelli e Pâmella de Oliveira, em que o papo também aborda a realidade atual das redes sociais para os triatletas de elite.

 

 

 

Para finalizar, o vídeo mais animal é o final desse aqui, já selecionamos o melhor momento dele para você, o Sprint final filmado com drone numa ilha paradisíaca - GOSTAMOS!

 

 

 

Canal do Talbot Cox no youtube e os de Gwen Jorgensen, Mirinda e Tim O'Donnell e Lionel Sanders, todos gerenciados por ele.

 

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Até a semana que vem!

Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

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