Frequentemente, quando falamos de desempenho competitivo, falamos em metas, objetivos, estratégias e planejamento. Mas antes que qualquer um destes elementos possa ser colocado em prática existem competências fundamentais que garantem ao atleta a capacidade de realiza-los. A concentração e o foco de atenção. Elas são fundamentais, pois sem um atleta concentrado e determinado em seguir um plano ou alcançar uma meta, grande parte da energia será desperdiçada e em muitos casos o objetivo final acabará perdido.

 

Mais uma vez iniciar pela definição e principalmente a diferenciação destes dois conceitos. Costumo dizer que a principal diferença entre a concentração e o foco de atenção diz respeito a sua qualidade. Enquanto a concentração tem a qualidade da intensidade, ou seja o atleta pode estar mais ou menos concentrado, o foco tem a qualidade da direção, ou seja para ONDE o atleta direciona tal nível de concentração. Definiria a concentração, portanto como a quantidade de energia mobilizada para a realização de alguma atividade e o foco como a direção e amplitude (quantidade de estímulos) para os quais o atleta aplica esta energia.

 

Vamos olhar um pouco para a questão prática destes conceitos. Como diferenciamos um atleta concentrado de um disperso antes da largada de uma prova? O atleta concentrado tende a estar muito envolvido com as questões relativas à competição, na amarração do tênis, no uso do anti atrito, no ajuste da roupa de borracha, em sua estratégia de prova e até nos seus adversários. Na antecipação dos problemas, na quantidade de ondas, na quantidade de gente e etc. No caso do atleta disperso ele olha para o horizonte, se perde em conversas e brincadeiras com os amigos, fica admirando as bicicletas na transição ou os tênis e as roupas na corrida, e mais recentemente tirando fotos e postando nas redes sociais pouco antes do tiro de largada. Notem que não necessariamente essa concentração é boa ou ruim, o que irá determinar isso é para onde ele irá direcioná-la.

 

E é aí que entra a importância do foco. Basicamente o foco se distingue em relação a sua direção, interno ou externo e em relação a sua amplitude, amplo ou estreito. Voltemos ao exemplo do atleta concentrado na largada, ele pode estar focado em sua respiração, em relaxar a tensão muscular, em ajustar seu nível de ativação e controlar os seus pensamentos ao que é pertinente ao seu desempenho, esse seria um exemplo de foco interno. Ele também poderia estar analisando a intensidade e direção da correnteza, em ficar próximo dos adversários que pretende marcar e em se posicionar bem na linha de largada, desta forma o foco estaria voltado para fora (externo). Em relação a amplitude, o que consideramos é a quantidade de estímulos que o atleta presta atenção ou direciona a sua concentração. Se ele se concentra apenas em sua respiração e no ritmo de pedalada durante a etapa de ciclismo seu foco é mais estreito, mas se além disso ele tenta marcar seus adversários, controlar a potência, reclamar do vácuo, calcular as parciais do garmin e olhar a paisagem, seu foco se torna mais amplo.

 

O que seria o ideal em uma prova de endurance? Bom, em primeiro lugar esta é uma questão muito pessoal para cada atleta, mas algumas regras nos ajudam a ajustar um pouco estes fatores. Um conceito bastante importante é que tanto a nossa capacidade de concentração como a de manter o foco são limitadas e sofrem influência de intensidade e duração. Quanto maior o nível (intensidade) de concentração mais curta a sua duração, portanto em uma maratona ou Ironman a concentração não pode ser tão alta como a de um corredor de 100m ou ou nadador dos 50 livre, isto não significa que o atleta de endurance precisa ser disperso, mas sua concentração deve ser fluida e relaxada. Outra regra é que quanto maior a quantidade de estímulos (amplitude) que tentamos prestar atenção, mais desgaste terá nossa concentração. Resumindo, o atleta não pode prestar atenção em tudo ao mesmo tempo, com alta intensidade por um período muito longo, e regular estas variáveis é o grande desafio mental de atletas e psicólogos do esporte, pois estas capacidades ainda são influenciadas pela experiência, capacidades individuais e pelo estresse e a ansiedade do atleta.

 

A questão principal, e mais difícil, é selecionar para onde voltar a atenção e com qual intensidade. Precisamos focar naquilo que é pertinente ao desempenho, nos limitando aquilo que podemos controlar e gastando pouca energia naquilo que não podemos. Em geral isso significa prestar mais atenção em você, em como seu corpo está reagindo a prova. Em não esquecer daquilo que planejou e não se deixar seduzir pela “competição” o impulso ou o “circo” armado para uma determinada prova.

 

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Arthur Ferraz

Colunista

Psicólogo pela PUC-SP, Especialista em psicologia do esporte, responsável pela preparação mental de atletas olímpicos de diferentes modalidades nos jogos de verão e inverno. Psicólogo do Clube Paineiras do Morumby, já trabalhou com as confederações de desportos aquáticos e desportos de inverno. Pratica triathlon há 17 anos, somando 13 IRONMANS e 4 participações em Kona.

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