Nesta coluna vou inverter a ordem das coisas, ao invés de partir de um conceito teórico e demonstrar como podemos entender uma situação prática de prova através dele, vou partir de uma situação que tenho visto ocorrer de forma constante em provas de Ironman e maratonas e discutir de que forma o pensamento de alguns atletas em relação a seus objetivos e resultados pode trabalhar contra o atleta e não a seu favor.

 

Hoje podemos dizer que existem dois grandes objetivos a serem conquistados pelo atleta amador competitivo, que servem como referenciais importantes de desempenho. A classificação para o campeonato mundial de Ironman no Havaí, no caso dos triatletas, e a maratona abaixo das três horas para os corredores. Embora não sejam objetivos tão exclusivos e estejam muito distantes do desempenho de um atleta profissional de elite, poderíamos dizer no senso comum que estas marcas definem a entrada do atleta em uma “elite” entre os atletas amadores. E é aí que se iniciam os sonhos, e também daí podem surgir grandes problemas.

 

Por serem referenciais importantes estas conquistas tendem a se tornar os principais e mais comuns objetivos dos atletas. Acredito que o objetivo de tempo da maratona, como já discuti quando falei em estabelecimento de metas, tem seu lado positivo, pois estabelece com referenciais concretos e específicos, um tempo determinado para a conclusão da prova, pode facilitar o planejamento e o processo de acompanhamento das metas de parciais na prova. Entretanto muitas vezes ele cria uma pressão desnecessária, atrapalha a percepção do atleta que poderia ir mais rápido, ou deveria ir mais devagar, e interfere diretamente na avaliação de seus objetivos.

 

No caso da classificação para Kona os perigos são ainda maiores, pois o objetivo não determina aquilo que precisa ser realizado, ele se torna muito dependente dos fatores externos e das ações dos adversários e ainda dependem do desempenho em uma prova, cuja característica é de que sempre algo planejado não dará certo e exigirá adaptação e flexibilidade do atleta.

 

Pois bem, após acompanhar atletas em busca destes objetivos, seja de forma profissional ou através das redes sociais, o que tenho visto com bastante frequência recentemente é uma crescente frustração dos competidores, muitas vezes em suas primeiras maratonas ou provas de Ironman, após realizarem grandes provas, superando dificuldades, enfrentando desafios e apresentando desempenhos muito bons, de acordo com sua experiência e treinamento, apenas por não conseguirem a vaga ou o sub3. Como se todas as conquistas e aprendizado não significassem nada uma vez que o objetivo principal não foi alcançado.

 

E o que isso nos diz? Em primeiro lugar me pergunto qual o objetivo principal do atleta no esporte? Não as metas, não os referenciais, mas o que faz o atleta, treinar, se sacrificar, abrindo mão de inúmeras outras atividades? É fazer algo no qual se tem prazer? É a busca do desenvolvimento e do crescimento no esporte? É ser o melhor que se pode ser? Ou é dizer que está em um seleto grupo? Postar nas redes sociais o quanto se é bom? Massagear o Ego com curtidas e elogios?

 

Responder a estas perguntas é muito importante pois elas irão ajudar o atleta a avaliar os objetivos determinados e principalmente a avaliar o resultado de uma competição através da perspectiva correta. Todos os atletas cometem erros ou tem problemas na prova. Em qualquer prova você sempre vai ganhar de alguém “melhor” do que você e perder de alguém “pior” do que você. Cada condição de percurso e característica de prova tende a favorecer um tipo específico de atleta ou forma de realizar a prova. O que é preciso entender é que sempre existe espaço para a evolução e o desenvolvimento e que os objetivos finais nos ajudam a determinar uma condição necessária para alcança-lo.

 

Ninguém “resolve” correr uma maratona abaixo das três horas, ou ir para o Mundial de Ironman. Todo atleta que estabelece isso como objetivo precisa entender que ele precisa se colocar em condição de chegar lá, através dos treinos, das provas, do autoconhecimento e do desenvolvimento, e que isso não ocorre apenas na capacidade física, mas na capacidade de desempenhar no momento da competição, de acordo com as condições da prova. Quando todos estes fatores se somam o sujeito se torna um atleta melhor e é isso que o faz atingir seus objetivos.

 

Portanto na próxima vez em que estiver frustrado por não alcançar um objetivo importante, por ter perdido por minutos ou segundos, ou por ter quebrado quando esperava a glória, lembre-se de que há sempre a escolha entre culpar os outros, desistir e achar que jogou todo o esforço fora, ou entender que cada experiência, cada oportunidade o torna um atleta melhor e com uma boa avaliação da prova e dos objetivos e um planejamento adequado, um dia este atleta estará em condições de alcançar o objetivo.

 

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Arthur Ferraz

Colunista

Psicólogo pela PUC-SP, Especialista em psicologia do esporte, responsável pela preparação mental de atletas olímpicos de diferentes modalidades nos jogos de verão e inverno. Psicólogo do Clube Paineiras do Morumby, já trabalhou com as confederações de desportos aquáticos e desportos de inverno. Pratica triathlon há 17 anos, somando 13 IRONMANS e 4 participações em Kona.

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