Você já parou para pensar na sua respiração? Provavelmente a resposta foi “não”. Respiramos de forma compulsória desde que nascemos e nunca colocamos atenção à esta ferramenta tão importante e poderosa, principalmente para um bom rendimento nos esportes.

 

A bioenergia captada através dos respiratórios é uma das nossas principais fontes de energia, junto com o alimento e a água. Embora possamos ficar meses sem comer e dias sem tomar água, não conseguimos ficar nem alguns minutos sem respirar (salvo atletas de apnéia que aguentam bem mais do que nós, reles mortais).

 

Sabia que utilizamos cerca de 10% da nossa capacidade pulmonar, apenas? Pense em tudo o que você realiza no seu dia: trabalho, esporte, lazer ... e quanta energia você dispende para tudo isso. Como você fica no final do dia? Agora imagine quanta energia sobraria se você simplesmente utilizasse 100% da sua capacidade pulmonar?

 

Um treinamento adequado e uma reeducação respiratória é tão importante para um atleta que busca melhorar o rendimento, quanto o treino da modalidade em si. Precisamos oxigenar nossos músculos para aumentar a performance, diminuir a fadiga (ou aumentar o tempo até que ela chegue) e evitar lesões.

 

Ao praticar atividades físicas, nossas células consomem mais oxigênio e produzem mais gás carbônico. Para eliminarmos esse excesso de CO2, respiramos mais vezes, sobrecarregando o sistema respiratório, podendo ocorrer fadiga dos músculos inspiratórios. Vale ressaltar que quanto menos treinados seus músculos inspiratórios forem, mais rapidamente poderão se fadigar!

 

Nesse momento (de exaustão e fadiga muscular), ocorre o disparo de um fenômeno fisiológico chamado metaborreflexo, que é o comando nervoso para passarmos a diminuir o ritmo dos exercícios antes de chegarmos no limite do "stress", momento em que somos forçados a parar definitivamente, prejudicando a performance.

 

Quando a musculatura respiratória passa por um programa de treinamento, torna-se mais forte e resistente à fadiga, retardando o disparo do metaborreflexo e proporcionando ganho de performance!

 

Há vários estudos que demonstram aumento considerável no rendimento de performance de atletas, após iniciarem treinamentos respiratórios, conforme abaixo:

 

  • Remo: ganho de até 1,9% no tempo de prova
  • Ciclismo: ganho de até 4,6% no tempo de prova
  • Corrida: ganho de até 2,1% no tempo de prova
  • Natação: ganho de até 1,5% no tempo de prova
  • Ganho de 7% na recuperação em sprints repetidos
  • Aumento de 16% na resistência em sprints

 

E não para por aí, também ficou demonstrado cientificamente a importância da respiração na redução da produção de lactato e aceleração na eliminação do lactato nos músculos.

Outros resultados significativos foram apurados em esportistas profissionais que tinham em seu treinamento técnicas respiratórias, como por exemplo:

 

  • Melhora geral no desempenho;
  • Redução da sensação de esforço e cansaço;
  • Maior resistência e força dos músculos inspiratórios;
  • Aumento da capacidade de retomada ("sprints").

E então, vamos respirar?

Ale Filippini

Colunista

Migrou da advocacia internacional para a área de qualidade de vida e alta performance há quase 10 anos. Formada pela Federação de SP do DeRose Method, especializou-se em treinamentos e palestras para quem quer melhor desempenho profissional ou esportivo, com experiência de consultorias inclusive fora do país. Utiliza técnicas respiratórias, corporais, de mentalização, meditação, descontração muscular, entre outras, como um diferencial para quem quer atingir um nível acima. Essas ferramentas têm sido amplamente utilizadas por atletas amadores e profissionais, tanto brasileiros quanto estrangeiros. É corredora há 12 anos e migrou para o triathlon há 2, tendo completado 2 IronMan 70.3 neste período. Assinará a coluna “Alta Performance – Você é a chave para o Alto Rendimento”

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