Falta pouco para a principal prova de Ironman no mundo, o Ironman do Hawai, ilha em que tudo começou e onde é celebrado o mundial da categoria, seja ele profissional, seja ele amador.

 

Hoje em dia, um dos principais sites para se obter informações sobre a prova é o trirating.com, mantido pelo alemão viciado em números Thorsten Radde (https://twitter.com/ThRadde).

 

Foi a partir da lista feita pelo Thorsten com os atletas profissionais classificados e que largarão na prova até o momento que pensei numa lista de informações aleatórias sobre os países presentes no mundial . São ao todos 98 classificados, 58 homens e 40 mulheres. Infelizmente a desigualdade de gênero e espero que um dia isso caia por terra.

 

Mas vamos a alguns fatos que achei interessante da lista:

- Ao todo, temos atletas de 20 países representados no profissional.

- O país com mais representantes é o anfitrião EUA, com 18 no total, seguido de Austrália com 11, Alemanha e Reino Unido com 9 cada e Nova Zelândia com 8. Ou seja, 56% dos atletas vêm de algum desses países.

- Um curiosidade que talvez tenha a ver com maior acesso ao esporte pelas mulheres: a delegação dos países nórdicos presentes (Dinamarca, Finlândia e Suécia) é composta de 6 atletas no feminino e apenas 1 no masculino. EUA, Reino Unido e Canadá também têm mais atletas no feminino que no masculino. Aliás, todas no feminino provêm da Europa, América do Norte ou Oceania.

- O menor país a estar representado em Kona será Bermuda (65 mil habitantes), com o Tyler Butterfield. O segundo menor será outra ilha, a de Seychelles (94 mil), com o Nick Baldwin. Aliás, surpresa total para mim saber que havia um triatleta seychellense! Fui até conferir o site dele e ele realmente é de lá.

- Por falar em Seychelles, a África estará representada pelo Baldwin e por 2 outros sul-africanos.

- Não há nenhum asiático na elite e isso me chama atenção, porque o Japão sempre tem triatletas boas no triathlon feminino olímpico, mas deve haver algo impedindo essa transição para longas distâncias. Mesmo a franquia tendo sido comprado por grupo chinês e aumentado no número de provas na Ásia, ainda não vemos nenhum pro na elite.

- A América do Sul, por sua vez, terá a presença dos brasileiros Thiago Vinhal e Igor Amorelli. Sabemos que nosso continente pode muito mais!

- Recapitulando os continentes: são 45 europeus; 24 norte-americanos (18 EUA + 6 CAN); 19 da Oceania; 3 africanos; 2 sul-americanos e 1 caribenho.

- Até hoje, só 9 países ganharam o mundial de Ironman: o país com mais título é o EUA, com 30; a Austrália tem 11, Suíça tem 9 (graças a apenas 2 mulheres); Canadá 9; Alemanha 8 (todos no masculino); Reino Unido 5; Zimbábue 5- (uma vez que os títulos posteriores da Paula Newby-Fraser já foram com a nacionalidade americana); Bélgica com 3 e por fim, a Nova Zelândia com 2.

 

Da pra tirar alguns palpites a partir da lista. O mundial do Hawai ainda é extremamente centralizado em países desenvolvidos. Apenas 6 atletas dos 98 não são provenientes da parte mais desenvolvida do globo. Em primeiro lugar, o triathlon, como sabemos, é um esporte de custos elevados e isso, sem dúvida, contribui. Segundo, as principais provas do circuito mundial que classificam pra Kona concentram-se nos EUA, Europa e Oceania, então facilita muito para os locais, uma vez que reduz os custos e a canseira da viagem, além de poderem dar muito mais tiros até acertarem o alvo. Terceiro, não dá pra não falar de infraestrutura de treino. Tirando a corrida, em que é possível treinar mesmo onde não haja boa infraestrutura, como demonstram quenianos e etíopes, a natação e o ciclismo demandam acesso a piscinas e a estradas seguras e, nesse quesito, estamos realmente muito atrás dos países do primeiro mundo.

 

A democratização internacional seria bacana pra marca e pro esporte, pois ter um ídolo local disputando o mundial traz maior envolvimento de patrocinadores, imprensa e torcida, aumentando o poder de divulgação do esporte entre os praticantes naquele pais. O desafio é incluir atletas de fora do restrito círculo de países desenvolvidos e manter o alto nível competitivo ao mesmo tempo, nem sempre uma fórmula fácil.

 

Com todo esse cenário, acredito muito que ainda veremos caírem vários recordes do Ironman, a partir do momento que formos agregando mais população do mundo nessa competição!

Correndo por Ai

Colunista

Blogueiro do instagram @correndoporai e triatleta amador, é historiador formado pela Universidade de São Paulo e diplomata de profissão. Apaixonado pelos esportes de endurance e por suas curiosidades, busca sempre uma boa história para compartilhar por aqui, seja em livros, artigos, podcasts, filmes ou em uma daquelas belas discussões nas redes sociais. 6x Ironman, espera chegar em Kona nem que seja pela teimosia.

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